A sanha arrecadatória não tem freio: mais imposto, mais gasto e a conta sempre no colo do brasileiro
Com déficit nas contas públicas, pressão por novos ministérios e “puxadinhos” salariais no Legislativo, governo volta a mirar o aumento de arrecadação — agora até em criptoativos — enquanto milhões seguem dependentes de programas sociais.

O Brasil vive um paradoxo que já virou rotina: o cidadão paga caro para sustentar um Estado grande, lento e, muitas vezes, ineficiente — e, mesmo assim, as contas continuam no vermelho. A carga tributária não é pequena: o próprio Tesouro informou que a carga tributária bruta do Governo Geral atingiu 32,32% do PIB em 2024, com alta relevante em relação ao ano anterior.
Só que, em vez de um choque de gestão com medidas estruturantes — corte de desperdícios, revisão profunda do gasto, reorganização do Estado e foco em eficiência — o caminho recorrente volta a ser a expansão da máquina e a caça por novas fontes de arrecadação. As contas do Governo Central fecharam 2025 no vermelho, com déficit primário de cerca de R$ 61,7 bilhões, segundo divulgação do Tesouro noticiada pela Agência Brasil.
E enquanto o discurso público fala em “responsabilidade”, o país assiste a sinais na direção contrária. No Executivo, por exemplo, o debate sobre criação do Ministério da Segurança Pública reaparece no radar político, com declarações do presidente indicando intenção de criar a pasta atrelada ao avanço da PEC da Segurança. Mais estrutura, mais cargos, mais custo. A pergunta óbvia é: isso vem acompanhado de redução em algum outro ponto, ou é só mais Estado em cima do Estado?
No Legislativo, o contraste fica ainda mais explícito. Em fevereiro, o Congresso aprovou um projeto que abre margem para “penduricalhos” que elevam remunerações acima do teto constitucional, com reportagens apontando ganhos que podem chegar a patamares muito superiores ao teto. É a velha engenharia do privilégio: mantém-se o discurso de limite, mas cria-se o atalho.
Nesse contexto, a elevação e a ampliação de tributos deixam de ser exceção e passam a ser método. Em 2025, houve anúncio de mudanças no IOF dentro de um pacote para “fechar contas”, atingindo crédito, câmbio e seguros, segundo reportagens da época. Paralelamente, avançaram mudanças relevantes na tributação de investimentos: a Lei nº 15.270/2025 alterou substancialmente regras envolvendo dividendos e mecanismos de tributação mínima, com efeitos a partir de 2026, segundo análises do mercado e de consultorias. E, no caso dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), a alíquota do IRRF foi elevada para 17,5% a partir de 2026, conforme noticiado em veículos especializados e manuais/explicações oficiais sobre o tema.
Agora, como se o roteiro precisasse de mais um capítulo, surgem “estudos” — e no Brasil a experiência ensina que “estudo” muitas vezes é apenas a antessala da decisão — para cobrar IOF de 3,5% sobre compras de criptoativos, com minuta de decreto citada por reportagens e indicação de discussão/consulta pública.
A pergunta que fica é simples e incômoda: qual é o limite? Até quando o brasileiro vai aguentar trabalhar para financiar uma estrutura que cresce, se protege e se premia — enquanto a economia real, a produtividade e a renda patinam?
Os efeitos sociais desse modelo já estão visíveis. Programas de transferência de renda são uma rede de proteção necessária para milhões, mas também viraram termômetro do tamanho da fragilidade social. Em janeiro de 2026, o Bolsa Família pagou benefícios para 18,7 milhões de famílias e alcançou mais de 49 milhões de pessoas, segundo informe oficial do Ministério do Desenvolvimento Social. Some-se a isso outras frentes (subsídios, tarifas sociais, Farmácia Popular, auxílios diversos) e se entende por que tanta gente sobrevive no limite — e por que o país corre o risco de normalizar a dependência como se fosse solução definitiva.
O brasileiro, de fato, aprendeu a sobreviver no caos. Mas não deveria precisar. E enquanto a lógica for sempre a mesma — mais imposto para tapar buraco, mais gasto para agradar corporações, mais ministério para acomodar política — o resultado também tende a se repetir: serviços aquém do que se paga, crescimento travado e um povo cada vez mais esmagado entre a conta e o contracheque.
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