ABSOLVIÇÃO DE SEIF E DERROTA DO “SISTEMA”

Ernesto São Thiago, advogado

A decisão unânime do TSE que manteve o mandato de Jorge Seif projeta efeitos políticos imediatos em Santa Catarina. Raimundo Colombo é o derrotado direto, pois a via judicial representava sua única possibilidade concreta de retorno à representação catarinense no Senado sem enfrentar nova eleição.

Esperidião Amin também sai enfraquecido. Em um cenário de dificuldade de tração eleitoral frente às pré-candidaturas de Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni, a eventual vacância da vaga poderia abrir espaço estratégico para disputar os quatro anos remanescentes do mandato e recuperar protagonismo. Com o placar de 7 a 0, essa alternativa desaparece.

No plano estrutural, o maior prejudicado é o Centrão, expressão mais visível do que muitos chamam de “Sistema”. A cassação permitiria rearranjos, negociações e recomposição de forças na representação catarinense no Senado. Criaria ambiente para articulações de bastidor e redistribuição de influência.

A unanimidade do TSE frustra essa engenharia. Ao reafirmar a exigência de prova robusta e preservar o resultado das urnas, a Corte bloqueia uma reconfiguração que dependeria da via judicial. Ironia maior é que o próprio “Sistema”, acostumado a operar por meio de cálculos institucionais, viu fechada a porta que poderia alterar o equilíbrio político sem passar novamente pelo voto popular.

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