Brasil tem o parlamento mais caro entre as principais democracias ocidentais

Levantamento comparativo aponta que o custo anual de um parlamentar brasileiro supera o de países desenvolvidos como Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido; no Brasil, a conta passa de R$ 3,2 milhões por congressista ao ano.

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O Brasil mantém hoje o parlamento mais caro entre as principais democracias ocidentais quando o recorte é o custo por parlamentar. Em levantamento comparativo publicado em 2025, o gasto anual com cada deputado ou senador brasileiro aparece no topo do ranking, acima de países desenvolvidos e com estruturas legislativas consolidadas. A diferença chama atenção porque não se explica apenas pelo salário: o peso maior está no conjunto de verbas de gabinete, cota parlamentar, auxílio-moradia e outros benefícios que ampliam o custo final de cada mandato.

Segundo o estudo, cada parlamentar brasileiro custa cerca de R$ 3,2 milhões por ano ao contribuinte. O valor é mais que o triplo do custo de um congressista nos Estados Unidos e também supera, com folga, os patamares observados em Alemanha, França e Reino Unido. Na comparação internacional, o contraste é ainda mais sensível porque, nas economias desenvolvidas, os gastos indiretos tendem a ser mais centralizados, controlados e submetidos a regras mais rígidas de transparência, enquanto no Brasil o modelo é mais pulverizado e generoso.

A própria composição dessa conta ajuda a explicar o descompasso. A remuneração base de um deputado federal brasileiro está na faixa de R$ 46,3 mil por mês, mas a estrutura de gabinete, a cota para o exercício do mandato, o auxílio-moradia e outras despesas elevam o custo mensal para cerca de R$ 273 mil por parlamentar. Em um cenário de pressão fiscal, cobrança por eficiência do gasto público e demanda crescente por serviços básicos, o tamanho dessa conta coloca o Congresso brasileiro no centro de um debate inevitável sobre racionalidade orçamentária, transparência e revisão de privilégios.

Os dados oficiais de 2025 reforçam a dimensão financeira do Legislativo brasileiro. Na Câmara dos Deputados, as despesas pagas no ano chegaram a R$ 6,94 bilhões, o equivalente a 82,21% do orçamento previsto até aquele momento. No Senado, a Lei Orçamentária de 2025 fixou orçamento total de R$ 6,317 bilhões, sendo R$ 3,602 bilhões vinculados diretamente à função legislativa. O tamanho dessas cifras ajuda a explicar por que o país segue distante dos padrões de custo observados nas principais economias ocidentais.

No exterior, os próprios orçamentos oficiais mostram estruturas relevantes, mas mais contidas. Em 2025, o Bundestag alemão teve orçamento de 1,25 bilhão de euros e o Bundesrat, de 38,5 milhões de euros. Na França, a Assembleia Nacional trabalhou com 643,19 milhões de euros entre custeio e investimento, enquanto o Senado francês teve dotação de 359,48 milhões de euros. No Canadá, a Câmara dos Comuns registrou orçamento de 757,9 milhões de dólares canadenses em 2024-25, e o Senado operou com orçamento ajustado de 131,5 milhões de dólares canadenses em 2025.

Mais do que um dado contábil, a comparação internacional expõe um problema político. O Parlamento é uma instituição essencial da democracia, mas perde legitimidade quando custa mais do que seus pares em países mais ricos e mais organizados institucionalmente. Ao liderar esse ranking entre as democracias ocidentais, o Brasil transforma o custo da representação em tema permanente de desgaste público e em símbolo de uma máquina estatal que continua cara demais para entregar pouco em eficiência.

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