Calote externo bilionário escancara risco assumido — e a conta recai sobre o brasileiro
Dívidas acumuladas por países inadimplentes beiram US$ 10 bilhões e expõem uma política de crédito externo que hoje pesa diretamente sobre o Tesouro Nacional.

Mais uma vez, a conta chega ao bolso do cidadão brasileiro. Documento encaminhado ao Senado Federal revelou que um grupo de 15 países reconhece dívidas com o Brasil, mas simplesmente não paga. O valor total desse calote externo acumulado beira US$ 10 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 50 bilhões, dependendo da cotação do dólar.
A lista inclui países como Venezuela, Cuba, Bolívia, Moçambique, Nicarágua, Senegal e Zimbábue, entre outros. Em muitos casos, são dívidas que se arrastam há mais de uma década, sem qualquer perspectiva concreta de recuperação no curto prazo.
O maior peso individual está na Venezuela. Dados oficiais indicam que o país deve ao Brasil algo em torno de US$ 1,7 bilhão a US$ 2,5 bilhões, valor que já ultrapassa R$ 10 bilhões e segue crescendo com juros desde que a inadimplência começou, em 2018.
Cuba também aparece entre os principais devedores, com cerca de US$ 800 milhões, incluindo financiamentos ligados ao Porto de Mariel — um dos projetos mais simbólicos desse modelo de crédito externo.
O ponto central não está apenas nos valores, mas no mecanismo que sustenta essas operações. Os financiamentos foram concedidos com garantia do Seguro de Crédito à Exportação, lastreado no Fundo de Garantia à Exportação. Na prática, isso significa que, quando o país devedor não paga, o Tesouro Nacional cobre o prejuízo. Ou seja: o risco é externo, mas a conta é interna.
Na avaliação deste portal, é exatamente aí que reside o problema. Não se discute a importância de apoiar exportações brasileiras ou fortalecer empresas nacionais no exterior. O questionamento é sobre o nível de risco assumido, especialmente com países historicamente instáveis ou com baixa capacidade de pagamento, enquanto o Brasil convive com graves carências internas.
Dificilmente esses valores serão recuperados no curto prazo. Em alguns casos, talvez jamais sejam integralmente pagos. E quando isso acontece, a retórica diplomática perde força diante de uma realidade objetiva: o investimento foi feito, o retorno não veio, e o prejuízo foi socializado.
No fim, o ciclo se repete. O Estado assume o risco, o devedor não paga, e o custo recai sobre quem não participou da decisão: o contribuinte brasileiro.
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