Congresso não pode normalizar a baixaria

O episódio na CPMI do INSS expõe um problema recorrente: o rebaixamento do debate político justamente dentro da instituição que deveria dar exemplo de equilíbrio e respeito.

Imagem gerada por IA

O nível dos debates no Congresso Nacional voltou a ultrapassar o limite do aceitável. Durante a apresentação do relatório final da CPMI do INSS — criada para investigar fraudes que atingem aposentados — a divergência política deu lugar à ofensa pessoal. Lindbergh Farias chamou o relator Alfredo Gaspar de “estuprador”. A resposta veio na mesma linha, com Gaspar classificando o deputado como “criminoso”, “usuário de drogas”, “recebedor de propina”, “cafetão” entre outros ataques.

O que deveria ser uma discussão séria sobre um problema que afeta diretamente milhões de brasileiros acabou reduzido a um espetáculo de agressões. E a pergunta que fica é simples: é isso que o cidadão espera da chamada Casa do Povo? Evidentemente, não.

O contraste com a vida fora do Congresso é evidente. Um cidadão comum pode responder judicialmente por palavras mal colocadas. Já parlamentares possuem imunidade para opiniões e declarações no exercício do mandato — uma proteção necessária para garantir liberdade política, mas que não pode ser confundida com licença para o descontrole.

A questão central não é a divergência. Democracia exige confronto de ideias. O problema é quando o argumento é substituído pela ofensa, e o debate público vira palco de ataques pessoais. Nesse cenário, o tema principal — neste caso, fraudes contra aposentados — perde espaço para o ruído político.

Esse tipo de comportamento não desgasta apenas os envolvidos. Ele enfraquece a credibilidade do próprio Congresso. Para quem assiste de fora, fica a sensação de que o interesse público é secundário diante do espetáculo.

O Brasil precisa de um Parlamento firme, crítico e atuante — mas também responsável. Imunidade não pode ser sinônimo de impunidade moral. E representação não pode ser confundida com espetáculo.

Se o Congresso não elevar o nível, a sociedade precisa exigir. Porque a democracia não se sustenta no grito, e sim no respeito e na responsabilidade.

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