Disputa ao Senado em SC: direita dividida abre janela real para Décio Lima em 2026

Com Amin (PP) mantendo a pré-candidatura e o PL flertando com “chapa pura” com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, o cenário favorece a esquerda em uma eleição de turno único — e a possível candidatura de Gelson Merísio ao governo pode ajudar o PT a buscar votos fora do seu terreno tradicional.

Como prevíamos, o tabuleiro de 2026 em Santa Catarina começa a ganhar forma. E, por ora, a fotografia mais clara está no Senado — justamente porque a disputa é em turno único e premia quem chega inteiro ao final, enquanto os adversários se fragmentam.

De um lado, a chamada ala conservadora aparece dividida em dois blocos competitivos. O Progressistas mantém a pré-candidatura de Esperidião Amin ao Senado, mesmo com entraves e tensões na costura com o PL. Do outro, o PL vive um movimento que ganhou força nos últimos dias: a possibilidade de uma “chapa pura” com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro concorrendo às duas vagas catarinenses — cenário que virou tema central no noticiário político local.

É aqui que entra a matemática eleitoral que pouca gente gosta de encarar: quando a direita/conservadores competem entre si com múltiplos nomes fortes, cresce a chance de a esquerda transformar seu “piso histórico” em cadeira no Senado. E esse piso existe. Em 2022, por exemplo, Lula fez 29,54% dos votos válidos em Santa Catarina no 1º turno, um indicador aproximado do tamanho do campo progressista no estado em disputas polarizadas.

Se a esquerda mantém algo na faixa de 25% a 30% e o campo conservador se divide em três candidaturas de peso (Amin + Carol + Carlos), o desenho fica próximo do “cenário perfeito” para Décio Lima (PT): ele não precisa “virar maioria”; precisa apenas ser competitivo o suficiente para entrar entre os dois mais votados, enquanto os adversários se canibalizam.

E há um componente novo que pode ampliar essa janela: a articulação para que Gelson Merísio dispute o governo com apoio do presidente Lula, justamente como tentativa de capturar voto fora do núcleo petista em um estado onde o PT tradicionalmente enfrenta resistência. A movimentação foi reportada como estratégia de “nome de centro” para puxar uma frente mais ampla, com Décio reposicionado como peça-chave — especialmente mirando a corrida ao Senado.

Essa engenharia faz sentido por dois motivos. Primeiro: na prática, uma candidatura mais palatável ao eleitor de centro pode reduzir a “parede” anti-PT e permitir que o voto senatorial petista cresça em ambientes onde normalmente não cresce. Segundo: como Senado e governo costumam se retroalimentar em campanhas, um candidato ao governo com maior trânsito social pode funcionar como ponte para o eleitor que não quer votar no PT para governador, mas aceita votar em Décio para senador.

Enquanto isso, o campo conservador enfrenta um dilema clássico: unidade ou identidade. Uma chapa do PL com Carol e Carlos é, do ponto de vista ideológico, coerente com a militância e com a mobilização de base — e pesquisas e análises locais já tratavam os dois como nomes competitivos em cenários estimulados. Só que coerência não elimina aritmética. Se essa decisão vier sem uma acomodação com Amin (ou sem algum tipo de composição que evite pulverização), a direita pode entregar ao PT aquilo que mais teme: a chance real de eleger um senador em Santa Catarina.

Resumo do cenário: a eleição de turno único não perdoa divisão. E, quando dois campos disputam o mesmo eleitorado com candidaturas fortes, quem tem núcleo fiel e percentual estável passa a jogar com vantagem. Hoje, pela combinação de movimentos recentes, Décio Lima surge como o beneficiário direto dessa fragmentação — especialmente se a esquerda conseguir ampliar alcance com Merísio na disputa pelo governo.

Os próximos meses serão de negociações intensas, mas o desenho do Senado já sinaliza um risco e uma oportunidade: risco para quem divide o campo conservador; oportunidade para quem sabe transformar base sólida em vitória.

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