Empreender no Brasil virou prova de resistência: mais obrigações hoje, preços mais altos amanhã
Entre carga tributária, burocracia e um emaranhado trabalhista, o empresário já opera no limite; e enquanto novas propostas como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 36 horas avançam no debate legislativo, a pergunta que fica é simples: até quando o setor produtivo aguenta — e quem paga a conta quando o custo explode?

Ser empresário no Brasil é, sim, coisa para heróis. Seria longo — e até enfadonho — listar a sobrecarga de responsabilidades que caem sobre quem empreende: tributos, obrigações acessórias, risco jurídico, folha, fiscalizações, interpretações diferentes da mesma norma, insegurança regulatória e um país que muda regra no meio do jogo com uma naturalidade assustadora.
O ponto aqui não é ser contra direitos. Programas sociais existem no mundo todo. Proteção à maternidade e dignidade do trabalho são valores civilizatórios. O problema é outro: o Brasil costuma criar obrigação sem discutir consequência, e ainda vende isso como se fosse custo zero.
Nos últimos meses, dois exemplos viraram símbolo desse caminho. Um deles é a própria pauta da chamada “licença TPM”, que circula como proposta em diferentes formatos e debates — mas que, até aqui, não é uma realidade consolidada na legislação trabalhista como obrigação geral.
O outro é a ampliação da licença-maternidade em casos específicos: a Lei nº 15.222/2025 passou a permitir extensão de licença e salário-maternidade quando houver internação hospitalar superior a duas semanas, por até 120 dias após a alta, descontado o período anterior ao parto. É uma correção humana em casos extremos — mas também é mais um exemplo de como o custo do sistema vai sendo empilhado, muitas vezes sem um plano de compensação para quem emprega.
E agora vem a próxima onda do debate — com alto apelo popular e forte risco de simplificação: fim da escala 6×1 e redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem redução salarial. Isso está no radar e avançando em discussão no Congresso, com propostas em tramitação e cobertura do próprio Senado e da imprensa regional.
A grande pergunta é: até quando nossos “heróis” vão suportar?
Porque existe um “segredo” que muita gente finge que não existe: o negócio só sobrevive se for minimamente lucrativo. Se o custo sobe por decreto, lei ou canetada — custo trabalhista, custo de conformidade, custo de risco — ele vai para onde?
Vai para os preços.
E sabe quem paga essa conta no fim do mês?
Você: consumidor e trabalhador.
Governos e legisladores agradecem. O caixa gira, a narrativa rende aplauso, e a conta cai na prateleira, no boleto e na inflação do dia a dia.
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