Estilo Brasil

Não classifico como convincente a vitória brasileira por 3 x 1 sobre a Croácia, no amistoso realizado nos Estados Unidos. Foi um resultado muito mais pelo tradicional estilo do jogador brasileiro, com a sua individualidade e genialidade, do que com um conjunto que nos ofereça, de forma antecipada, uma segurança para a Copa do Mundo. E não poderia ser diferente. A equipe que começou a partida foi uma mescla de alguns garantidos com outros tentando se garantir. Não por culpa do técnico Carlo Ancelotti, mas pelas contingências do momento. Com importantes ausências na equipe a formação brasileira estava longe da ideal e, certamente, da que começará o Mundial nos Estados Unidos.
Mas o que contará para a história será o registro do resultado que pode ser animador para direcionar o trabalho a partir de maio, quando da relação final dos convocados. Até lá vamos sempre lembrar e discutir o velho estilo Brasil de jogar e ganhar uma Copa como todas que vencemos: sob o comando de gênios que quase sempre abdicaram do tão propalado “conjunto” uma característica tão comum nas seleções da Europa. Que o digam os que viram jogar Pelé, Tostão, Gerson, Garrincha, Didi, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Bebeto, Romário e mais uma dezena de jogadores “estilo Brasil”.
E os que sonhavam ou ainda sonham com a recuperação de Neymar, capaz de agregar ao time nacional, o “estilo Brasil” de jogar futebol.
As boas novidades
No jogo contra a Croácia, último amistoso antes da chamada final para a Copa o Mundo, Ancelotti pode ter descoberto nomes que pareciam não constar na sua imaginação: Danilo Santos (uma mola propulsora do time), Igor Thiago, ao melhor estilo de um verdadeiro centroavante e o garoto Endrick com decisiva participação em dois dos três gols brasileiros. E para completar, o que faltava para o time apareceu no jogo: a genialidade de Vini Jr. Na construção do primeiro gol brasileiro.
Claro que há – para justificar o conjunto – outros nomes, mas a individualidade citada me parece ter feito a diferença.
Os número de Ancelotti
Contratado para fazer a diferença na formação de um time capaz de ganhar o Hexa, Ancelotti comandou a seleção brasileira em 10 jogos. Foram cinco vitórias; dois empates e três derrotas. Com ele, a seleção marcou 18 gols e sofreu 8. A partir de agora a precisão da observação será apurada pois a Copa está logo ali.
Híbridos
A escassez dos tradicionais gênios no atual futebol brasileiro está obrigando o técnico Carlo Ancelotti a optar pela escolha de jogadores chamados “híbridos” ou multifuncionais, aqueles que se comprometem a exercer em campo as mais diversas atividades. Com suas técnicas diferenciadas e, não raras vezes complexas, eles podem suprir ausências e se adaptar às necessidades do momento de acordo com as variações apresentadas pelo adversário, sem a necessidade de arriscadas substituições. Pode ser.
A dor da ausência
Para quem gosta de futebol e do futebol, a ausência da Itália numa Copa do Mundo representa um sentimento de dor. Será a terceira Copa do Mundo seguida sem a “Squadra azzurra” como é tradicionalmente conhecida. Tetracampeã com os títulos em 1934, (Itália), 1938 (França), 1982 (Espanha) e em 2006 (Alemanha) e vice em 1970 e 1994 (perdendo ambas para o Brasil) a Itália foi eliminada na fase de grupos em 2010 (África do Sul) e em 2014 (Brasil). Para as copas de 2018 (Rússia), de 2022 (Catar) e agora para a edição nos Estados Unidos, México e Canadá não conseguiu classificação. Ontem, depois de empatar em um gol, perdeu nos pênaltis para a Bósnia e Herzegovina. A decadência de um futebol que já foi o mais forte da Europa e, certamente, uma boa fonte de pesquisa para saber as causas.
