Grêmio coleciona temporadas frustrantes e hoje parece um clube sem rumo
Rebaixamento, campanhas irregulares, dependência de individualidades, dívida alta e um futebol cada vez mais pobre formam o retrato de um Grêmio que segue distante da grandeza que sua história exige.

O quadro recente do Grêmio é lamentável. Em 2021, o clube foi rebaixado para a Série B. Em 2022, voltou à elite como vice-campeão da Série B. Em 2023, terminou o Brasileirão como vice-campeão da Série A, mas muito impulsionado pelo brilho individual de Luis Suárez, que marcou 17 gols e foi decisivo em uma campanha que mascarou vários problemas estruturais do time. Depois disso, a realidade voltou a bater à porta. Em 2024, o Grêmio fechou o Brasileirão em 14º lugar, com desempenho abaixo do tamanho do clube. Em 2025, terminou novamente em 14º, escapando da zona de rebaixamento sem jamais transmitir segurança ao torcedor. E agora, em 2026, o retrato segue preocupante: após a derrota para o Cruzeiro na 12ª rodada, o time chegou ao quinto jogo seguido sem vitória e ocupa apenas a 14ª posição, longe de qualquer sinal de consistência. Problema não está só na tabela. Está, principalmente, no futebol apresentado. O Grêmio hoje passa a sensação de ser um time perdido. Não há jogada trabalhada, não há aproximação entre os setores, não há triangulação, não há transição ofensiva confiável. É uma equipe que muitas vezes parece entrar em campo sem uma identidade minimamente clara. Para um clube da tradição do Grêmio, isso é inaceitável.
A situação se torna ainda mais grave quando se olha para fora das quatro linhas. Auditoria apresentada ao Conselho Deliberativo apontou que o endividamento gremista chegou a R$ 935,6 milhões ao fim de 2025, número que por si só já exige enorme responsabilidade na gestão. Mesmo assim, o clube segue sendo percebido como dono de um elenco caro, com estimativas de mercado apontando uma folha salarial superior a R$ 20 milhões mensais, o que torna o rendimento esportivo ainda mais decepcionante. Como se diz no velho ditado, é uma fartura: falta tudo. Há elenco, há custo, há estrutura, mas falta futebol, falta convicção e falta direção. Justamente aí que a crítica à direção ganha força. O que o Grêmio transmite hoje é a imagem de um clube que não sabe exatamente o que está fazendo — ou, pior, o que deveria fazer. As contratações geram dúvidas, o time em campo não evolui e o torcedor assiste a uma repetição desconfortável de problemas que já deveriam ter sido corrigidos há muito tempo.
Difícil ver um clube do tamanho do Grêmio reduzido a isso: um gigante historicamente respeitado, mas que há anos vive entre remendos, dependência de exceções e campanhas que oscilam entre a frustração e o medo. O mais grave é que essa condição vai se tornando rotina. E, para um clube dessa grandeza, normalizar a mediocridade talvez seja o pior erro de todos.
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