Grêmio precisa proteger sua história também fora de campo

Cobranças envolvendo Wagner Leonardo e Gustavo Cuéllar reacendem alerta sobre responsabilidade financeira, imagem institucional e respeito aos compromissos assumidos pelo clube.

A grandeza do Grêmio não está apenas nas taças, nos jogos históricos ou na força de sua torcida. Está também na imagem construída ao longo de mais de um século. Por isso, quando notícias sobre dívidas vencidas, cobranças e notificações passam a se tornar frequentes, o problema deixa de ser apenas administrativo. Passa a atingir a credibilidade institucional do clube.

O Grêmio tem todo o direito — e até a obrigação esportiva — de montar um elenco competitivo. Um clube da sua dimensão precisa buscar bons jogadores, investir, formar grupo forte e disputar títulos. Mas antes de qualquer contratação, existe um princípio básico de gestão: honrar os compromissos assumidos.

Nesta semana, dois casos voltaram a chamar atenção. O Vitória acionou o Grêmio na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF por dívida envolvendo a compra do zagueiro Wagner Leonardo. A negociação foi fechada por US$ 4,5 milhões, e o clube baiano cobra uma parcela em atraso de US$ 500 mil, cerca de R$ 2,7 milhões.

Outro caso envolve Gustavo Cuéllar. O volante colombiano notificou extrajudicialmente o Grêmio por valores em atraso relacionados à rescisão contratual. Segundo informações publicadas, o acordo gira em torno de aproximadamente R$ 15 milhões, valor que o jogador não teria aberto mão.

São situações diferentes, mas que apontam para a mesma preocupação: a gestão financeira. Quando um clube compra atletas de valor elevado, mantém salários altos e, ao mesmo tempo, acumula cobranças públicas, a mensagem transmitida ao mercado é ruim. Fornecedores, clubes, atletas e empresários passam a olhar com mais cautela para futuras negociações.

O Grêmio não pode normalizar esse tipo de desgaste. Dívidas podem existir em qualquer clube, especialmente em um futebol brasileiro marcado por receitas instáveis e custos crescentes. Mas atraso recorrente, cobrança judicial ou notificação extrajudicial não podem virar rotina.

A direção precisa ter responsabilidade com o presente e respeito pela história. O patrimônio do Grêmio não é apenas financeiro. É simbólico. É a confiança construída com torcedores, atletas, parceiros e instituições. E essa confiança, quando arranhada, custa caro para ser reconstruída.

O clube precisa de elenco forte, sim. Mas precisa, acima de tudo, de gestão forte. Porque vencer dentro de campo começa com seriedade fora dele.

Hashtags:
#Grêmio #Futebol #GestãoEsportiva #WagnerLeonardo #GustavoCuéllar #TricolorGaúcho #CBF #CNRD #FutebolBrasileiro #ResponsabilidadeFinanceira #Imortal #Opinião

Sobre o autor

Compartilhar em: