Grupo Portobello — de Tijucas ao design que virou vitrines pelo mundo
Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Em 1979, quando a fábrica ergueu seus primeiros fornos em Tijucas (SC), a Portobello ainda era um sonho de indústria com sotaque catarinense e ambição de design. A região já respirava cerâmica; a aposta foi transformar esse ofício em marca — e em método. Nos anos seguintes, o que era linha de produção virou linguagem estética e logística precisa: produto, atendimento a obras, relacionamento com arquitetos e uma rede capaz de levar o “feito em SC” a casas, edifícios e espaços públicos no Brasil e fora dele. A vocação exportadora apareceu cedo e a cultura do fazer bem feito seguiu como bússola.
Houve um momento em que a indústria decidiu encurtar a distância até o cliente final. Em 1998, nasce a Portobello Shop, uma rede de franquias que colocou curadoria, serviço e portfólio no mesmo endereço. Com o tempo, essa frente virou um dos pilares do grupo e, recentemente, ultrapassou a marca de 160 lojas no país, tornando-se o grande palco de relacionamento com consumidores e especificadores. É o varejo a serviço da indústria, com padrão e experiência.
Outra perna da estratégia foi democratizar o design. Em Marechal Deodoro (AL), a marca Pointer ganhou fábrica própria e missão clara: produtos de qualidade a preço acessível, ampliando a presença nacional e abrindo portas em novos mercados. Santa Catarina como origem; o Nordeste como rota de expansão — e o Brasil inteiro como destino.
O mapa ficou, de fato, global com a Portobello America. Em outubro de 2023, a empresa inaugurou sua primeira fábrica nos Estados Unidos, em Baxter (Tennessee), com showroom e um plano industrial por fases (novos fornos em 2024 e expansão prevista até 2026). Mais que capilaridade, é inteligência de serviço: produzir perto do cliente, reduzir lead time, competir por design e entrega. Para quem começou em Tijucas, é um gesto simbólico — o catálogo catarinense falando a língua do mercado norte-americano.
Os números recentes contam o esforço de um ciclo de investimento pesado e ajuste fino. Em 2024, o grupo mostrou EBITDA pro forma de R$ 358,6 milhões (alta de 31% vs. 2023) e reforço de caixa livre, mesmo com juros altos e o ramp-up da operação nos EUA; o ano fechou com prejuízo líquido pro forma de R$ 56,9 milhões, muito ligado ao custo financeiro, enquanto a operação comercial seguiu tracionando — com R$ 589 milhões de receita no 2º tri/24 e ganho de participação em todas as unidades de negócio. A leitura é de maturidade: eficiência, disciplina e continuidade da estratégia.
Mais do que cifras, a Portobello é uma comunidade de gente que desenha, esmalta, queima, embala, vende, especifica e instala. Nas fábricas, há quem calibre tons e texturas; nas lojas, quem traduza projetos em soluções; nas obras, quem faça a peça certa chegar no dia certo. Reconhecer essa trajetória é reconhecer décadas de trabalho coletivo que fizeram do design catarinense uma referência — no varejo, na arquitetura e nas ruas pelas quais a gente caminha.
Linha do tempo — marcos essenciais
• 1979 — Fundação em Tijucas (SC).
• 1981 — Primeiras exportações e filial em São Paulo.
• 1987 — Ampliação do parque fabril e salto de capacidade.
• 1998–1999 — Nasce a Portobello Shop; rede chega a 49 lojas em um ano.
• 2014 — Fábrica em Alagoas e lançamento da marca Pointer.
• out/2023 — Inauguração da Portobello America, em Baxter (TN, EUA).
• 2024 — EBITDA pro forma: R$ 358,6 mi; prejuízo pro forma: R$ 56,9 mi; Receita 2T24: R$ 589 mi.
• 2024–2026 — Plano de expansão de fornos na unidade dos EUA (fases 2 e 3).

Do primeiro forno em Tijucas ao parque fabril no Tennessee, o que o Grupo Portobello prova é que inovação é disciplina: começa na matéria-prima, passa pelo cuidado de quem faz e termina na experiência de quem usa. Fica o reconhecimento — aos fundadores e às novas lideranças, às equipes de chão de fábrica, às lojas e aos parceiros — por uma obra que ajudou a redesenhar o jeito de construir no Brasil. Quando Santa Catarina decide unir indústria e design, o resultado aparece nas vitrines — e nas cidades inteiras que a gente ajuda a construir.
