Lula reage com irritação, cobra velocidade e tenta estancar desgaste político

A reação do presidente aos números mais recentes das pesquisas reforçou no Planalto um clima de urgência: a ordem agora é acelerar medidas com apelo popular para tentar conter a queda de popularidade em meio à pressão inflacionária e ao ambiente econômico mais duro.

Foto: Agência Brasil

A leitura do Planalto sobre o momento político mudou de tom. Segundo relatos de bastidores em Brasília, Lula recebeu com forte irritação os números mais recentes da pesquisa Datafolha e passou a cobrar dos ministros mais velocidade na entrega de projetos com impacto direto sobre a vida do eleitor. O foco deixou de ser apenas discurso e comunicação. A prioridade agora é fazer a máquina política girar em torno de pautas capazes de produzir reação mais rápida na opinião pública.

Duas frentes passaram a ocupar o centro dessa ofensiva. A primeira é o fim da escala 6 x 1, pauta que o próprio presidente assumiu publicamente como prioridade e que o governo decidiu empurrar com mais força no Congresso. Lula já declarou que enviará o projeto e que o Executivo está empenhado em transformar o tema em uma marca social do governo.

A segunda frente é o novo plano voltado aos endividados. O governo prepara uma nova versão do Desenrola, com foco em dívidas mais pesadas, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia. A proposta mira justamente um dos maiores dramas da economia real: milhões de famílias sufocadas por juros altos e renda apertada. O ministro Dario Durigan já confirmou que o programa será lançado após a viagem de Lula à Europa.

O problema é que essa reação política acontece em um ambiente econômico desfavorável. O Boletim Focus divulgado ontem elevou a projeção do mercado para a inflação de 2026 a 4,71%, acima do teto da meta, o que reforça o temor de que a pressão de preços continue corroendo o poder de compra e limitando qualquer recuperação mais rápida da popularidade presidencial.

No fim, o recado interno é claro: Lula entendeu que não pode esperar a campanha chegar para reagir. A ordem dada à equipe é acelerar, entregar e ocupar o debate com medidas de apelo popular. Resta saber se isso será suficiente para conter o desgaste ou se o movimento já vem tarde demais para mudar o humor de um eleitorado cada vez mais pressionado pela economia.

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