Meta de superávit para 2027 é bom sinal e pode ajudar a reancorar a confiança na economia

Ao manter na LDO de 2027 a projeção de superávit primário de 0,5% do PIB, o governo envia ao mercado e à sociedade uma sinalização positiva de compromisso com o equilíbrio das contas públicas, condição essencial para juros menores, mais previsibilidade e avanço sustentável da economia.

O envio da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 com a previsão de superávit primário de 0,5% do PIB representa um dado positivo para a economia brasileira. A trajetória já vinha sendo indicada em documentos oficiais anteriores, que projetavam 0,25% do PIB em 2026, 0,5% em 2027, 1% em 2028 e 1,25% em 2029.

Esse tipo de meta importa porque o superávit primário é um dos principais sinais de disciplina fiscal. Quando o governo mostra intenção de gastar menos do que arrecada, desconsiderando os juros da dívida, ele ajuda a reduzir a percepção de risco sobre as contas públicas. E risco menor costuma produzir efeitos positivos em cadeia sobre confiança, crédito, câmbio e investimento. Essa relação é central na forma como mercado, empresas e investidores avaliam a sustentabilidade de um país.

Se essa meta for de fato cumprida em 2027, o efeito tende a ser relevante. Um resultado primário positivo fortalece a credibilidade da política fiscal, melhora a previsibilidade e ajuda a conter o crescimento da dívida pública no médio prazo. Isso, por sua vez, abre espaço para um ambiente econômico mais favorável ao investimento produtivo, especialmente em um país que ainda convive com juros altos e forte sensibilidade a desequilíbrios fiscais.

Também há um impacto importante sobre a política monetária. Evidentemente, o comportamento da Selic depende de vários fatores, sobretudo inflação, expectativas e cenário externo. Mas contas públicas mais organizadas ajudam a reduzir um dos componentes que pressionam os juros estruturalmente no Brasil: a desconfiança sobre a capacidade do Estado de honrar sua trajetória fiscal sem gerar mais inflação, mais dívida ou mais necessidade de arrecadação. Em outras palavras, o superávit não garante sozinho a queda dos juros, mas cria um ambiente muito mais propício para isso.

É claro que projeção não é resultado. Entre anunciar uma meta e efetivamente cumpri-la existe um caminho longo, que depende de arrecadação, controle de despesas e capacidade política de manter a disciplina fiscal mesmo em ambiente de pressões por mais gasto. Ainda assim, o simples fato de o governo reafirmar esse compromisso na LDO já funciona como uma sinalização institucional importante.

No fim, o ponto central é simples: contas públicas sob controle não resolvem todos os problemas de um país, mas sem elas quase nada avança de forma consistente. Se o Brasil realmente conseguir transformar a meta de superávit de 2027 em realidade, dará um passo importante para reconstruir confiança, ampliar investimentos e criar bases mais sólidas para crescer com menos turbulência.

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