Novos Ensinamentos

Fui criado com alguns ensinamentos paternos que respeitei – e continuo obedecendo – ao longo da minha existência. E todos, sempre respeitosos, me foram muito úteis. Mas o tempo foi passando e, sou obrigado a concordar que alguns deles perderam a sua essência. E tiveram outras aplicações e obediências.
Por exemplo: Meu pai me ensinou que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Austero, ele, no entanto lembrava que “também quem manda, deveria ter juízo”.
Que bom se assim fosse. Hoje, nem todos que mandam tem juízo e obedecem, muito mais os que precisam, do que os que tem juízo.
No futebol está assim.
Tenho me dedicado a alguns assuntos que ao longo dos últimos anos marcaram minha atuação no futebol. Especialmente na sua administração de jogo, na organização e na aplicação de regras que balizam os aspectos técnicos e comerciais.
E muito mais pela tv do que presencialmente, a percepção dos detalhes fica mais apurada.
As imagens
Começo observando que alguns estádios não recebem a necessária preocupação da sua melhor aparência. Contrastando com o ser humano, que se alinha para grandes eventos, ainda vemos jogos onde a televisão nos “contempla” com aquelas velhas traves móveis usadas para treinar os goleiros fora da grande área (para não prejudicar o gramado) jogadas nos cantos onde mais a imagem destaca: na linha de fundo, perto da cobrança de escanteios.
Há outras que, se bem observadas, desfiguram os estádios e empobrecem o palco de um espetáculo nem sempre valioso, é verdade, mas que deveria estar preparado para tanto.
A valorização
O futebol é um produto. O melhor deles em todo o mundo. Mas é preciso tratá-lo como tal. Ninguém quer comprar um artigo defeituoso ou feio, por mais em oferta que ele esteja. E num momento de grande concorrência, a exigência fica mais explícita.
Os organizadores das competições, especialmente federações e confederações são responsáveis diretos por esse aprimoramento, por este trato na imagem do palco dos espetáculos.
Os exemplos
Mas como aplicar tudo isso se os clubes – na maioria amadores administrativamente – não exercem suas partes? Impondo, com inteligência e regramento, normas que possibilitem a valorização mercadológica do espetáculo.
Apesar de normal rejeição que este tipo de ação ainda enfrenta no Brasil, a Conmebol tem agido com eficiência neste campo, se espelhando na Fifa e servindo de espelho para a CBF.
Uma das medidas mais recentes é a “comercialização” da chamada parada técnica ou para hidratação, aplicada com o fim de atender aos jogadores, mas que servem mais para os treinadores darem instruções e que caminha para os marqueteiros ativarem suas iniciativas.
E como os clubes estão cada dia mais dependentes das receitas extras chegou o momento daquela mudança: Hoje “manda quem pode, obedece quem precisa”.
