Picanha a R$ 249,90 o quilo: quando o carrinho vira choque de realidade no Brasil

Em um supermercado da Beira-Mar Norte, em Florianópolis, este portal registrou hoje preços de carnes nobres em patamares que beiram o inacreditável — um contraste direto com a renda de quem vive do piso do Bolsa Família (R$ 600) e do salário mínimo de 2026 (R$ 1.621), num país que segue convivendo com inflação e custo de vida pressionado.

Foto: Derly Anunciação

O Brasil é um país de extremos. E, às vezes, a realidade não aparece em discurso político, nem em debate de televisão — ela aparece na prateleira, no açougue, na etiqueta.

Foto: Derly Anunciação

Hoje, eu, editor deste portal, fui pessoalmente a um supermercado na Beira-Mar Norte, em Florianópolis, e fiquei estarrecido. Fiz algo que nunca havia feito na vida: fotografar preços. O valor da picanha variava de R$ 172,90 a R$ 249,90 o quilo. Ainda sem acreditar, fui checar outra carne tradicional do churrasco: a fraldinha marcava R$ 149,90 o quilo. As imagens foram captadas hoje, às 14h15.

Foto: Derly Anunciação

É aqui que a indignação deixa de ser opinião e vira pergunta objetiva: como uma família se sustenta diante de preços assim?

O Brasil tem Bolsa Família com piso de R$ 600 (valor mínimo estabelecido e mantido como referência do programa) e, ao mesmo tempo, tem o salário mínimo de 2026 fixado em R$ 1.621 — valor bruto que, na prática, precisa cobrir alimentação, aluguel, transporte, remédios e escola. E isso dentro de um país que continua convivendo com inflação e pressão de custo de vida, como mostram os indicadores do IBGE (IPCA-15 em 12 meses).

O que aumenta a revolta é o contraste: o Brasil tem território, água, sol, produção, vocação agropecuária e capacidade de ser potência alimentar. Ainda assim, uma parcela grande da população vive no limite — e quando até a carne vira artigo de luxo, a sensação de injustiça cresce.

Este registro é um desabafo, mas também é um documento. Porque, em algum momento, alguém precisa olhar para a etiqueta e admitir: há algo muito errado quando o básico vira privilégio.

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