Por que sua mente não para de antecipar o pior? Psicóloga explica a “catastrofização” e como interromper esse ciclo

A psicóloga Tatiana Guarnieri nos da dicas de como lidar com algumas situações.

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*Por que sua mente não para de antecipar o pior?*

Você pensa em uma situação simples e, em poucos segundos, sua mente já construiu o pior desfecho possível. Uma conversa vira rejeição, um erro vira fracasso, um sintoma vira uma doença grave… Esse movimento é rápido, automático e, muitas vezes, vem acompanhado de um forte desconforto físico. Esse é um padrão mental conhecido como catastrofização.

*O que é catastrofizar?*

Catastrofizar acontece quando a mente passa a antecipar cenários extremos e negativos como se fossem quase certos. Em vez de trabalhar com possibilidades variadas, ela foca exclusivamente em ameaças. O pensamento deixa de ser uma hipótese e passa a ser tratado como um fato. A mente não pergunta “e se der errado?” Ela afirma: “vai dar errado”.

*Por que a mente faz isso?*

Apesar de parecer cruel, a catastrofização é uma tentativa de proteção. A mente acredita que, ao prever o pior cenário, você estará mais preparado para lidar com ele e, assim, sofrer menos. É como se ela dissesse: “se eu te alertar agora, nada vai te pegar de surpresa depois”.

O problema é que esse mecanismo tem um custo alto. Ao antecipar ameaças constantemente, a mente mantém o corpo em estado contínuo de alerta. O sistema nervoso reage como se o perigo fosse real e iminente, mesmo quando ele é apenas uma possibilidade distante. Com o tempo, isso gera ansiedade constante, tensão física, dificuldade de relaxar e sensação de esgotamento.

*Quando o pensamento vira prisão*

Na catastrofização, o pensamento deixa de ser uma ferramenta e passa a comandar suas emoções e reações. A mente cria previsões automáticas e o corpo responde com medo, angústia e insegurança. É assim que situações simples passam a parecer insuportáveis e o futuro se torna sempre ameaçador.

*Uma técnica prática: probabilidade realista*

Quando perceber que sua mente está indo diretamente para o pior cenário, vale interromper esse fluxo automático com perguntas simples, mas potentes:

– Qual é a chance real disso acontecer?

– Que evidências concretas eu tenho agora?

– O que já aconteceu em situações parecidas no passado?

Essas perguntas não servem para forçar um pensamento positivo, mas para construir um pensamento mais justo com a realidade. Elas ajudam a sair do campo da suposição extrema e retornar para o que é observável e provável.

Na terapia, o trabalho não é eliminar pensamentos difíceis, mas transformar previsões automáticas em escolhas mais conscientes. Você aprende a reconhecer quando a mente está operando no modo ameaça e a não tomar esses pensamentos como verdades absolutas. Com o tempo, isso reduz o impacto emocional das antecipações e devolve mais espaço para presença e clareza.

A mente ansiosa não pergunta se algo vai dar errado. Ela afirma e o corpo acredita. Aprender a questionar esses pensamentos é um passo importante para viver com mais equilíbrio e menos medo do futuro. A terapia pode ser esse espaço de escuta, cuidado e reconstrução da relação com os próprios pensamentos.

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