Razão & Felicidade

Texto reproduzido do livro “Histórias de Aprendiz” publicado pelo colunista.

Tânia tinha vida emocional muito confusa. Casou e descasou várias vezes. Os ciclos pareciam seguir roteiro definido: encantamento instantâneo; paixão arrebatadora, com mudança apressada do novo par para seu apartamento; alguns meses de convivência em que apresentava o namorado a todos seus amigos; desencanto progressivo quando os defeitos do “sujeito” emergiam de mares revoltos; dificuldade para se livrar do “estorvo”; alívio por ter finalmente conseguido se livrar do “traste”.

Um detalhe chamava a atenção dos amigos: Tânia era terapeuta. Vivia de ouvir problemas alheios e aconselhar clientes.

A instabilidade emocional de Tânia se refletia nos procedimentos terapêuticos. Estava sempre atrás de novidades. Encontrava novos gurus – e novos conceitos – em viagens a centros místicos, em cursos alternativos, em revistas científicas. De tempos em tempos, seu consultório mudava de eixo, de parâmetros, de técnicas ocupacionais.

De volta de uma expedição ao México, convidou amigos e conhecidos para uma nova experiência em grupo. Sandra resolveu aceitar o convite. O marido questionou a mulher:

– Você acha que alguém que não consegue resolver a própria vida tem o que ensinar aos outros?

Sandra não deu ouvidos ao marido e foi à reunião.

– E daí? – perguntou-lhe o marido.

– Você tinha razão quanto ao encontro – explicou Sandra. – Mas valeu eu ter ido. Na sala de espera, li uma frase, pintada na parede, que me fez refletir…

– …

– “Você quer ter razão? Ou quer se feliz?”

História contada por “Rê”, amiga de Brasília.

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