Saneamento básico segue como desafio estrutural e expõe fragilidades em Santa Catarina
Ranking do Instituto Trata Brasil mostra que o país ainda convive com déficits graves de água e esgoto, enquanto Santa Catarina segue sem protagonismo positivo no cenário nacional.

O novo retrato do saneamento básico no Brasil confirma que o país ainda está longe de transformar um serviço essencial em realidade universal. A 18ª edição do Ranking do Saneamento, publicada pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, revela que cerca de 90 milhões de brasileiros, o equivalente a 43,3% da população, ainda não têm acesso à coleta de esgoto. No mesmo levantamento, mais de 30 milhões de pessoas seguem sem acesso à água tratada, um dado que ajuda a dimensionar a persistência de um problema histórico que impacta saúde pública, qualidade de vida, produtividade e desenvolvimento urbano.
O estudo analisa os 100 municípios mais populosos do país e usa como base os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, o SINISA, do Ministério das Cidades. A metodologia considera três grandes pilares: nível de atendimento, melhoria do atendimento e nível de eficiência. Em outras palavras, não se mede apenas quem atende mais, mas também quem avança, investe e opera melhor.
O problema é que o abismo entre os extremos continua enorme. Segundo o ranking, os 20 melhores municípios apresentam, em média, 98,08% de coleta de esgoto, enquanto os 20 piores ficam em 28,06%. No tratamento do esgoto, a diferença também é brutal: 77,97% entre os melhores, contra apenas 28,36% entre os piores. Isso mostra que o saneamento brasileiro ainda avança em velocidades muito diferentes, dependendo da capacidade de investimento, gestão e priorização política de cada cidade.
No caso de Santa Catarina, o sinal de alerta permanece aceso. O estado não colocou nenhuma cidade entre as 20 melhores do ranking nacional, o que por si só já revela falta de protagonismo em uma área central para o desenvolvimento. Ao mesmo tempo, nesta edição também não aparece com município entre os 20 piores, segundo a cobertura local baseada no levantamento. Ainda assim, isso está longe de significar conforto. Joinville, por exemplo, aparece apenas na 64ª posição, apesar de ter subido 11 colocações, o que reforça que o avanço existe, mas ainda é insuficiente para colocar Santa Catarina entre as principais referências do país.
O dado nacional ajuda a explicar por que o tema precisa ser tratado com mais seriedade. O próprio Instituto Trata Brasil informa que o país teve mais de 336 mil internações por doenças de veiculação hídrica em 2024. Quando falta água tratada e sobra esgoto sem coleta ou tratamento, o efeito não é apenas urbano ou ambiental; ele recai diretamente sobre hospitais, escolas, renda e dignidade.
No fim, o ranking reforça uma verdade incômoda: saneamento básico ainda é um dos grandes passivos estruturais do Brasil e segue sendo, também em Santa Catarina, um problema relevante. Sem investimento contínuo, eficiência operacional e prioridade real de gestão, o tema continuará avançando abaixo do necessário — e a conta seguirá sendo paga pela população.
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