Santa Catarina melhora suas rodovias e reforça a importância da infraestrutura para crescer

Com economia diversificada e espalhada por diferentes regiões, Santa Catarina depende de uma logística eficiente para sustentar sua competitividade. E os dados mais recentes mostram avanço relevante na qualidade da malha estadual, embora o desafio das rodovias federais ainda continue pesando sobre o desenvolvimento.

Imagem gerada por IA

Santa Catarina tem uma das economias mais diversificadas do país, com força na indústria, no agronegócio, nos serviços, na exportação e em polos regionais espalhados por praticamente todo o estado. Essa característica exige uma logística de transporte bem estruturada e, acima de tudo, rodovias em boas condições de trafegabilidade. Segundo o Observatório Fetrancesc, a malha rodoviária catarinense soma cerca de 2,3 mil quilômetros de rodovias federais e pouco mais de 6,4 mil quilômetros de rodovias estaduais, dos quais 5,3 mil quilômetros são pavimentados.

É justamente nesse ponto que Santa Catarina passou a apresentar uma evolução importante. Dados da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade mostram que, no fim de 2025, 84% dos 5,3 mil quilômetros pavimentados das rodovias estaduais estavam classificados como em condição ótima ou boa. O número representa uma virada expressiva em relação a 2023, quando levantamento citado pela própria Fetrancesc indicava que pouco mais de 26% da malha estadual se encontrava nesse patamar de qualidade.

Esse salto não é trivial. Ele mostra que programas estruturantes, quando saem do papel e ganham escala, conseguem alterar a realidade da infraestrutura. No caso catarinense, o avanço foi associado pelo governo ao Programa Estrada Boa, lançado em 2023 e tratado pela Secretaria de Infraestrutura como o principal motor dessa recuperação da malha estadual. A melhora é relevante porque rodovia ruim significa mais custo logístico, mais tempo perdido, maior desgaste de frota, risco de acidentes e perda de produtividade. Quando a estrada melhora, a economia responde melhor.

Mas o cenário não permite acomodação. Santa Catarina ainda convive com gargalos importantes, principalmente nas BRs, que são decisivas para o escoamento da produção, a integração regional e a ligação com portos e fronteiras. A própria FIESC mantém campanha permanente alertando para a situação precária de trechos das BR-101, BR-282, BR-470, BR-280 e BR-163, sustentando que a insuficiência dessas vias ameaça diretamente a competitividade catarinense. Em outras palavras: a melhora nas SCs é uma boa notícia, mas o sistema logístico como um todo ainda depende de solução mais robusta nas rodovias federais.

Esse ponto é central porque infraestrutura de transporte não é apenas assunto de engenharia. É tema de produtividade, de competitividade e de desenvolvimento. Um estado com economia complexa e distribuída como Santa Catarina precisa de estradas que acompanhem seu ritmo. E o Brasil, como país, ainda está longe das melhores referências mundiais quando se fala em logística integrada, duplicações, capacidade viária e fluidez do transporte. A melhora catarinense, portanto, merece reconhecimento, mas também deve ser vista como prova de que investir com planejamento dá resultado — e de que ainda há muito a fazer.

No fim, o avanço recente da malha estadual mostra que Santa Catarina deu um passo importante. Não resolve tudo, mas sinaliza um caminho correto: infraestrutura boa não é gasto, é base para crescimento. E, para um estado que quer continuar competitivo, esse tipo de programa estruturante deixa de ser escolha. Vira necessidade.

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