Schulz — de uma metalúrgica em Joinville à indústria catarinense que virou referência global
Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Em 1963, em Joinville, a Schulz nasceu como uma metalúrgica dedicada a fabricar utensílios domésticos e agrícolas — um começo simples, de oficina, que carregava uma ambição grande: fazer bem-feito, repetir padrão, ganhar confiança. Com o tempo, essa disciplina virou indústria. A empresa se tornou catarinense e global, de capital aberto, atuando hoje em duas frentes que se complementam: soluções para ar comprimido e componentes automotivos (fundidos, usinados, pintados e montados).
A história da Schulz tem uma “virada” que explica o que ela se tornou. Em 1972, a empresa decide apostar no desenvolvimento de compressores alternativos de pistão — um produto técnico, competitivo e que exige consistência. Dez anos depois, em 1982, conquista a liderança no mercado brasileiro; em 1985, avança para a liderança na América Latina; e, ao final daquela década, entra para um clube raríssimo ao se tornar a primeira empresa brasileira a desenvolver compressores rotativos de parafuso com engenharia própria.
Nos anos 1990, o crescimento ganha ritmo e governança. A Schulz amplia escala, incorpora movimentos estratégicos e, em 1994, dá um salto simbólico: abre capital e marca a trajetória com o feito de 1 milhão de compressores produzidos e comercializados. Era o sinal de maturidade de quem deixou de ser apenas fabricante para se tornar marca, rede e presença.
Da porta para fora, o mundo. Em 1999, a criação da Schulz of America consolida o esforço de mercado norte-americano. Em 2017, a empresa inaugura operação na Ásia com fábrica de compressores em Xangai. Ao mesmo tempo, constrói uma rede que dá sustentação ao nome: mais de 10 mil revendedores no Brasil, representantes em outros países e uma estrutura de pós-venda ampla — o tipo de detalhe que não aparece na vitrine, mas segura a reputação quando o equipamento precisa trabalhar todo dia.
A outra perna — a Automotiva — nasceu como resposta natural de uma indústria que sabia fundir, usinar e controlar qualidade. O direcionamento ao segmento automotivo começa na década de 1980, se fortalece em 1993 com estruturação de usinagem, ganha corpo em 2008 com um sistema de pintura e-coat, e em 2012 entra no aftermarket, fornecendo itens ligados a sistemas de freio e componentes para veículos pesados e aplicações do agro. É a engenharia silenciosa por trás de caminhões, máquinas e equipamentos que fazem a economia se mover.
Como toda trajetória grande, há ciclos. Em 2024, a Schulz fechou o ano com Receita Líquida de R$ 1,945 bilhão, EBITDA de R$ 359,4 milhões (margem 18,5%) e Lucro Líquido de R$ 255,2 milhões. No mesmo período, os investimentos somaram R$ 229,6 milhões, incorporando modernização e inovação para sustentar crescimento com eficiência. É a prova de que, quando a indústria trabalha com método, ela atravessa volatilidades sem perder a mão do longo prazo.
E há um dado que diz muito sobre a estatura alcançada: hoje, os produtos da Schulz estão presentes em mais de 70 países. O número, por si, impressiona; mas o que ele representa é maior: anos de laboratório, chão de fábrica e disciplina de qualidade para competir em mercados que não perdoam falhas.
Linha do tempo — marcos essenciais
• 1963 — Fundação da Schulz em Joinville (SC), como metalúrgica.
• 1972 — Início do foco em compressores alternativos de pistão.
• 1982–1985 — Liderança no Brasil e na América Latina em compressores de pistão.
• Final dos anos 1980 — Desenvolvimento de compressores rotativos de parafuso com engenharia própria.
• 1994 — Abertura de capital e marco de 1 milhão de compressores produzidos.
• 1999 — Criação da Schulz of America.
• 2008–2012 — Automotiva: e-coat e entrada no aftermarket.
• 2017 — Operação na Ásia com fábrica de compressores em Xangai.
• 2024 — Receita Líquida R$ 1,945 bi; EBITDA R$ 359,4 mi; Lucro Líquido R$ 255,2 mi; investimentos R$ 229,6 mi.

Mais que uma cronologia de marcos industriais, a Schulz é um lembrete do que Santa Catarina constrói quando decide ser grande sem perder a essência: processo, gente e constância. Fica o reconhecimento — aos pioneiros, às lideranças que deram sequência e, principalmente, às equipes que fundem, usinam, montam e atendem — por uma obra que começou pequena em Joinville e hoje ajuda a mover oficinas, fábricas e estradas em dezenas de países.
