Videira: uva, vinho, indústria e uma cidade que transformou trabalho em identidade

Foto: ND Mais / Reprodução DMA

Videira é uma cidade que carrega no próprio nome a marca de sua origem. No Meio-Oeste catarinense, o município se consolidou como um dos símbolos da vitivinicultura em Santa Catarina, mas sua identidade vai muito além dos parreirais. Entre a memória da colonização, a força da agroindústria e a vocação para eventos, turismo e serviços, Videira construiu uma trajetória de crescimento que combina tradição rural e dinamismo urbano. Segundo o IBGE, a cidade tinha 55.466 habitantes no Censo de 2022.

A história local começa no início do século XX, quando a colonização da então região de Rio das Pedras ganhou impulso. O lugar passou a se chamar Perdizes em 1921 e teve instalação oficial como município em 1944. O nome atual, Videira, foi adotado justamente por causa da forte presença da uva e do vinho na formação econômica e cultural da cidade. A própria prefeitura registra que, antes mesmo da fixação definitiva dos colonizadores, já havia notícia, em 1913, da colheita de um grande cacho de uvas na região.

Esse elo com a uva moldou a imagem pública do município. Videira é apresentada pelo próprio poder público e por canais oficiais de turismo como Capital Catarinense da Uva e Capital Catarinense do Espumante, além de integrar o roteiro turístico do Vale da Uva e do Vinho. Ao redor dessa tradição, surgiram vinícolas, espaços de degustação, propriedades rurais abertas à visitação e eventos que reforçam o sentimento de pertencimento local.

Mas Videira também se destaca pela força econômica. O município é apontado pela prefeitura como berço da Perdigão e uma das economias mais fortes do estado, com base produtiva ligada à agroindústria, à avicultura, à suinocultura, ao comércio e aos serviços. No site oficial, a cidade é descrita como “a cidade do vinho, das aves, dos suínos”, síntese de uma economia que soube crescer a partir do campo e da indústria de transformação.

Esse perfil econômico ajuda a explicar o tecido social videirense. A cidade tem características de polo regional: concentra comércio, serviços, educação, equipamentos culturais e infraestrutura urbana para atender não apenas os moradores, mas também parte do entorno do Vale do Rio do Peixe. Ao mesmo tempo, preserva uma imagem de cidade organizada e ligada às suas raízes, em que agricultura, indústria e memória familiar seguem convivendo no cotidiano.

Entre os casos diferenciados de Videira está justamente essa capacidade de unir produção e identidade cultural. Poucas cidades catarinenses carregam de forma tão clara a relação entre nome, economia e patrimônio simbólico. O Museu do Vinho Mário de Pellegrin é um exemplo disso: instalado no único bem arquitetônico tombado em nível estadual no município, o espaço preserva objetos, técnicas e memórias ligadas ao plantio da uva e à fabricação artesanal do vinho.

As belezas e atrações da cidade também aparecem em um roteiro variado. O município destaca entre seus pontos turísticos o Museu do Vinho, a Estação Ferroviária, a Casa do Telégrafo, a Igreja Matriz Imaculada Conceição, a Praça do Coreto, a Cidade da Criança e o Observatório Astronômico Domingos Forlin, além do Polo Astronômico e do Parque da Uva, que se consolidou como um dos grandes espaços de eventos de Videira.

A cultura local também se expressa nas festas. Estudos sobre a cidade registram a importância histórica da Festa da Uva e da Vindima como celebrações que conectam economia, memória e vida comunitária. Além disso, o Baile do Vinho segue como um dos eventos simbólicos do calendário local, com escolha de rainha e forte associação à tradição vitivinícola do município.

Na gastronomia, Videira entrega o que sua origem promete. Vinhos, espumantes, sucos e derivados da uva se misturam a uma mesa típica do Meio-Oeste catarinense, marcada por massas, carnes, cafés coloniais e pratos que refletem a influência dos imigrantes europeus e da agroindústria regional. O turismo rural e enogastronômico reforça essa experiência, fazendo da comida e da bebida uma extensão natural da história da cidade.

Videira é, no fim das contas, uma cidade que soube transformar vocação em marca. Entre a herança do vinho, o peso da agroindústria, os equipamentos culturais e a vida urbana de polo regional, o município construiu uma identidade clara e reconhecível em Santa Catarina. É uma cidade que olha para a frente sem apagar o passado — e que faz da uva, da indústria e da memória não apenas símbolos do que foi, mas também bases do que continua sendo.

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