WPA Participações e Serviços (WEG) — de Jaraguá do Sul ao mundo, a energia catarinense que virou indústria global

Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Imagem gerada por IA

Em 16 de setembro de 1961, em Jaraguá do Sul, três homens com ofícios diferentes — um eletricista, um administrador e um mecânico — decidiram juntar habilidades e fundar a Eletromotores Jaraguá. Pouco tempo depois, a empresa ganharia o nome que a tornaria reconhecida no mundo: WEG, formado pelas iniciais dos fundadores. Começou com motores elétricos; mas, como acontece com as empresas que não se acomodam, o motor virou ponto de partida — não de chegada.

A expansão veio com método e com uma leitura clara do futuro: não bastava vender um componente, era preciso entregar soluções. A partir da década de 1980, a WEG ampliou seu alcance para automação industrial, transformadores, produtos eletroeletrônicos e tintas e vernizes, consolidando-se como fornecedora de sistemas elétricos completos — e não apenas como fabricante de motores.

Por trás desse crescimento, existe um bastidor societário que ajuda a entender a continuidade e o “jeito WEG” de decidir: a WPA Participações e Serviços S.A. é a holding controladora e, na composição acionária divulgada pela companhia, aparece com 50,09% das ações (posição de 29/04/2025). É uma estrutura que mantém o comando ligado à origem e dá estabilidade para atravessar ciclos, investir pesado e sustentar a visão de longo prazo.

O resultado mais visível dessa combinação — cultura, disciplina e investimento — é a escala global construída sem perder o endereço catarinense. No retrato oficial de 31/12/2025, a WEG informa filiais em 44 países, fábricas em 18 países, produtos presentes em 5 continentes e um time de mais de 49,3 mil funcionários, com mais de 5,5 mil engenheiros. É gente e engenharia, repetindo padrão todos os dias, em múltiplas geografias.

Os números de 2025 contam a dimensão desse ciclo. No ano, a empresa fechou com Receita Operacional Líquida de R$ 40,8 bilhões, EBITDA de R$ 9,0 bilhões e lucro líquido de R$ 6,38 bilhões. E há um detalhe que diz muito sobre o tamanho do jogo: a maior parte da receita veio do mercado externo (R$ 24,3 bilhões), acima do mercado interno (R$ 16,5 bilhões). Não é só exportar — é operar como multinacional, com presença e demanda distribuídas.

Se números ajudam a explicar o alcance, são as pessoas que explicam o sentido. Porque toda essa “energia” que a WEG entrega ao mundo — em motores, automação, geração, transmissão, soluções industriais — nasce de uma rotina silenciosa: laboratório, fábrica, logística, assistência, treinamento. A grandeza aqui tem algo de catarinense: não depende de espetáculo. Depende de constância. Reconhecer o que foi construído é reconhecer o trabalho diário de quem mantém a excelência como hábito — e fez de Jaraguá do Sul um nome que circula com naturalidade nos mapas industriais do planeta.

Linha do tempo — marcos essenciais
16/09/1961 — Fundação da Eletromotores Jaraguá, que depois passaria a se chamar WEG (iniciais dos fundadores).
Década de 1980 — Expansão do portfólio para automação, transformadores, tintas e sistemas completos.
29/04/2025 — Estrutura acionária: WPA Participações e Serviços S.A. com 50,09%; controladores somam 64,56%.
2025 — Presença global: filiais em 44 países, fábricas em 18 países, 49,3 mil funcionários e 5,5 mil engenheiros.
2025 — Resultado anual: ROL R$ 40,8 bi, EBITDA R$ 9,0 bi, lucro R$ 6,38 bi.

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