As saídas de Maduro: ou renuncia, ou será traído — sem dinheiro, não existe ditadura

Com os EUA apertando o cerco no petróleo e no narcotráfico — as duas fontes vitais do regime — a permanência de Nicolás Maduro no poder entra numa contagem regressiva: ou ele negocia a saída, ou será “saído” por quem hoje o protege.

Imagem gerada por IA

Ditaduras não caem por falta de discursos. Caem por falta de dinheiro. E quando o dinheiro começa a secar, aquilo que parecia lealdade vira rapidamente cálculo, conveniência e traição. No fim, regimes autoritários não se sustentam por ideologia — se sustentam por uma engrenagem de privilégios que precisa ser alimentada todos os dias.

A Venezuela vive exatamente esse ponto crítico. Nicolás Maduro se mantém no poder porque criou um sistema de proteção altamente custoso, baseado em duas estruturas centrais: os militares, que passaram a controlar diretamente parte relevante da cadeia do petróleo, e os grupos paramilitares e redes informais (como coletivos e alianças criminosas), que operam a sustentação política e territorial — muitas vezes associadas ao narcotráfico e outras economias ilegais.

Só que esse modelo tem uma fragilidade: ele depende de fluxo constante de caixa. E os Estados Unidos estão atacando justamente as duas artérias financeiras que fazem o regime respirar.

Nos últimos dias, esse cerco se tornou mais explícito e agressivo. Desde 10 de dezembro, embarcações ligadas ao transporte de petróleo venezuelano passaram a ser interceptadas, apreendidas ou perseguidas na costa do país — e já são três operações consecutivas envolvendo petroleiros, segundo veículos internacionais. O governo norte-americano já confirmou que a Guarda Costeira está em “perseguição ativa” de uma terceira embarcação, dentro do que foi descrito como uma “espécie de bloqueio” contra a chamada “frota escura” venezuelana, usada para driblar sanções.

O recado é claro: se não entra petróleo no caixa do regime, não entra dinheiro para comprar fidelidade.

E este é o ponto que muda tudo. Porque em regimes como o venezuelano, o dinheiro não serve apenas para manter o Estado funcionando. Ele serve para manter o entorno do ditador funcionando: a elite militar, os beneficiários do sistema, a estrutura de vigilância, as forças de repressão, os esquemas logísticos e a proteção pessoal. Quando isso começa a falhar, dissidências aparecem como rachaduras em uma parede velha — no início discretas, depois irreversíveis.

E é aí que surge a pergunta inevitável: quanto tempo isso pode durar?

A resposta honesta é: não existe prazo exato. Mas existe lógica política. E a lógica é simples: o regime só se mantém enquanto consegue pagar a conta do poder.

Os EUA parecem não querer — ao menos por ora — uma ação militar direta para derrubar Maduro. O objetivo é outro: sufocar, estrangular, reduzir, até que o sistema desmorone por dentro. Quando o dinheiro some, a lealdade evapora. Quando a lealdade evapora, surgem traições. E quando surgem traições, ditadores deixam de ser “líderes” e passam a ser “peso morto”.

Nesse cenário, Maduro tem essencialmente duas saídas reais. A primeira é a renúncia negociada, com tentativa de preservar alguma segurança pessoal e um destino de exílio — fórmula clássica usada em regimes que tentam evitar um final sangrento. A segunda é a saída forçada, construída por dentro: traição de militares, rupturas internas, deserções e movimentos coordenados por quem hoje se beneficia do regime, mas que amanhã pode querer preservar a própria vida e o próprio patrimônio.

No jogo do poder absoluto, não existe gratidão. Existe sobrevivência.

E o povo venezuelano, que há anos paga o preço do autoritarismo com empobrecimento, fuga em massa e destruição da economia, segue como refém de um sistema que já não se sustenta com legitimidade — apenas com controle.

A pergunta que fica é direta e dura: Maduro vai sair vivo, renunciando, ou será removido pelos próprios aliados?

Na lógica de uma ditadura, quando o dinheiro some, a história raramente termina bem para o ditador.


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