Chape gigante e as verdades do nosso futebol

Chape, gigante!

Não sou chegado aos momentos de exagerada euforia, quando um resultado se mostra surpreendente neste enigmático esporte que é o futebol. Mas há momentos que é preciso justificar uma conquista com a necessária manifestação emocional de quem se contempla com o que está vendo. Pois foi assim a minha reação na indiscutível vitória da Chapecoense na sua estreia no brasileiro da Série A 2026, ganhando do Santos por 4 a 2, na Arena Condá, em Chapecó.

Minha euforia está centrada nos fatos que construíram o resultado. A volta da “associação” para a elite do futebol nacional; os percalços que o clube teve que superar para montar o time; a inquestionável diferença econômica entre os dois clubes; a qualificação técnica que alimenta os sonhos de uma renovação total no mundialmente famoso “peixe” e tudo mais que se queira incluir no rol de comparações. Mas é inquestionável que nada disso amedrontou o time catarinense que teve competência para marcar primeiro, dobrou esta qualidade para construir a vantagem e triplicou para garantir uma indiscutível vitória.

Se a Chapecoense vai manter tudo isso, se terá condições de se manter na elite ou de galgar posições mais ousadas, só o tempo nos responderá. O que é preciso comemorar é o feito inicial. E nele, a chape foi gigante!

1,2,3

Três fatos com ampla repercussão no futebol da Capital, onde meto a colher.

O primeiro, o entrevero no caminho do Figueirense na desesperada busca por quem pague suas contas, através da chamada Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Os trâmites mostram quão bagunçada está a administração do clube que não consegue se entender num grupo de uma dezena de pessoas.

O segundo, não muda de endereço. A absurda majoração do preço (R$ 220,00) nos ingressos para o jogo do Camboriú, locatário do Scarpelli contra o Avaí, pelo Campeonato Catarinense. No desesperado “acerto” que o Camboriú, mandatário da partida, fechou com o Figueirense, deixou ao clube do Estreito todas as responsabilidades do jogo. Deu no que deu.

O terceiro, a fragilidade administrativa do locatário do estádio. O Camboriú sabe melhor do que ninguém, que todas as responsabilidades do jogo no Orlando Scarpelli são de sua competência. Que são intransferíveis.

Feito único

Está planejada a mais democrática competição do futebol brasileiro, a Copa do Brasil. São 126 clubes de todas as regiões do país. De olho nas polpudas quotas oferecidas pela CBF por partida, os seis catarinenses Chapecoense, Avaí, Barra, Santa Catarina, Figueirense e Joinville vão correr atrás do desejo “inimaginável” de alcançar o feito do outro catarinense, o Criciúma. O time carvoeiro, treinado por Luiz Felipe Scolari, quando a grana era bem mais curta e o número de clubes também (apenas 32) foi Campeão em 1991 empatando (0x0) na final do Heriberto Hulse, com o Grêmio. Naquele tempo valia o gol fora e no jogo, no Olímpico em Porto Alegre, foi 1 a 1.

Cá entre nós

Alguém pode me informar qual a capacidade real da Arena Condá? No jogo Chapecoense x Santos, superlotada, com exagerado número de pessoas assistindo em pé, o borderô registrou apenas 17.551 pessoas com 175 gratuidades inteiras.

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