Clássico não se explica, se joga
A mística do clássico.
O excelente narrador Paulo Branchi (Rádio Jovem Pan News/Florianópolis) fez uso de uma velha citação, para justificar a merecida e heroica vitória do Avaí sobre o Figueirense, em pleno estádio Orlando Scarpelli, por 2 a 0. E ele tem razão. Especialmente na essência do mistério, a ‘mística” com o seu enigmático, o incompreensível, comprovou que nem sempre essa disputa pode ser explicada pelas leis naturais.

O Figueirense chegava ao clássico jogando em casa com amplo favoritismo, apesar do visível incômodo da derrota no meio da semana, em Brusque, quando preferiu usar uma chamada equipe “alternativa” preservando jogadores para tentar antecipar a sua classificação à próxima fase.
Mas, como disse o PB, “em clássico, quem chega pior, leva a melhor” o que se repetiu no jogo do Scarpelli.
Mas é preciso reconhecer que a vitória foi fruto da supremacia, da superação e do melhor aproveitamento tático do Avaí, num jogo atípico pela péssima condição do gramado, em função do temporal que exigiu o atraso do seu início.
Faltou previsão
Trabalhei com o advogado Manoel Cordeiro, quando ele presidia o Lagoa Iate Clube (LIC) em Florianópolis. Naquela época, sem a tecnologia de hoje, Cordeiro não marcada nenhum evento, sem antes ouvir Amaro Seixas Neto, jornalista e escritor que estudou meteorologia na Universidade Nacional de Córdoba (Argentina) fundador da cadeira 25 da nossa Academia Catarinense de Letras, mas que entendia como ninguém da nossa previsão do tempo. Pois as previsões da semana estavam indicando chuvas ao longo do clássico, em Florianópolis. Na justificativa pela derrota, a chuva foi um dos argumentos do Figueirense que, certamente, não ouvi os atuais mestres em previsões. Preferiu ficar com o planejado no sol forte e sua comissão técnica não conseguiu mudar o rumo da dura consequência.
Os piores do clássico
No meu comentário ao longo da partida, considerei como os piores o goleiro do Figueirense, Igo Gabriel – que não satisfeito em falhar no jogo em Brusque, errou duas vezes no clássico – e o estado do gramado, que não suportou a forte chuva. Pior, seu sistema de drenagem foi incompetente para administrar a situação. Um gramado que já foi modelo (como a administração do clube) hoje está igual a mesma. Mesma qualificação para quem “fiscalizou” o acesso de torcedores com fogos e sinalizadores no estádio. Tudo piorado com a burrice de quem fez uso dos artefatos, exigindo a paralisação do jogo – justo no momento em que o Figueirense mais precisava do seu andamento. Burrice pura.
Os melhores
Destaque para a jovem equipe do Avaí, que superou as dificuldades de um time ainda em formação, soube se adaptar ao encharcado gramado, venceu com absoluta justiça e garantiu antecipadamente a classificação para a próxima fase do estadual. É preciso registrar, igualmente, o comportamento do staff do clube após a vitória. Declarações sensatas, oportunas e respeitosas.
Na contramão
A estratégia do comando do Figueirense, levou o clube para a contramão do campeonato. Depois das duas vitórias iniciais – contra Joinville e Marcílio Dias – assumindo a liderança da competição, o clube decidiu por preservar jogadores contra o Brusque – e perdeu – aumentando o risco para o clássico, onde teve nova derrota. Agora terá que recomeçar a luta para garantir a classificação e voltar para a pista certa sem esbarrar em mais ninguém.
Erros, apenas isso
Não compactuo com os exageros na avaliação das arbitragens. No clássico Figueirense x Avaí, entendo que o árbitro Gustavo Ervino Bauermann errou na expulsão do zagueiro Alysson, do Avaí (26 do primeiro tempo). O atleta cometeu uma falta, cuja avaliação deveria ser amenizada pelo estado do gramado. Induzido pela atuação do VAR, Wagner Reway, ele expulsou o jogador. Um erro, apenas isso e ainda na minha avaliação, que não justifica os excessos nos julgamentos.
