SAF não é milagre: a verdadeira virada dos clubes brasileiros passa por gestão profissional

Enquanto muitos tratam a SAF como “última saída”, exemplos como o Flamengo provam que planejamento, governança e responsabilidade financeira ainda são a fórmula mais sólida — e urgente — para salvar o futebol nacional.

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Os clubes brasileiros chegaram a um ponto em que já não dá mais para empurrar com a barriga. A conta chegou. E ela está pesada: dívidas bilionárias, receitas comprometidas por anos, times enfraquecidos e instituições centenárias vivendo o risco real de inviabilidade esportiva e administrativa. A cada temporada, fica mais claro que o futebol virou um negócio caro demais para ser conduzido com amadorismo — mas ainda existe uma parte da cartolagem que insiste em tratar o clube como se fosse uma extensão de vaidades pessoais, e não uma empresa moderna com obrigações e metas claras.

Nos últimos anos, a SAF passou a ser vendida como o “remédio definitivo” para todos os males. Para muitos dirigentes, ela virou uma espécie de tábua de salvação: se o clube afunda, basta virar SAF e tudo se resolve. Só que isso não é verdade. SAF não é milagre. SAF é modelo. E como qualquer modelo, pode dar certo ou dar errado — dependendo de quem administra, de como os contratos são feitos e da transparência com a torcida, o patrimônio e a história do clube.

O que o Brasil precisa enxergar é que a solução não é necessariamente mudar o CNPJ, mas mudar a mentalidade. Existem clubes que provaram que dá para ser sólido, competitivo e vencedor sem vender a instituição. O maior exemplo é o Flamengo, que reconstruiu sua estrutura com planejamento e responsabilidade: controle de gastos, profissionalização, governança, investimentos consistentes em base, estrutura e inteligência de futebol. Foi um processo longo, com escolhas duras e visão de médio e longo prazo. O resultado aparece hoje: vantagem econômica, estabilidade e capacidade de montar equipes fortes, ano após ano.

Enquanto isso, gigantes históricos como São Paulo, Atlético Mineiro, Internacional e Grêmio — apenas para citar alguns — enfrentam dificuldades para competir no mesmo nível, muitas vezes por consequência direta de décadas de decisões ruins, contratos mal feitos, dívidas acumuladas e gestões que pensavam mais na próxima eleição do clube do que nos próximos cinco anos do projeto esportivo.

O futebol moderno exige administração séria. É impossível disputar títulos gastando mais do que arrecada, vivendo de antecipação de receitas, vendendo jogadores antes mesmo de amadurecerem e contratando “soluções de curto prazo” para apagar incêndio. E não adianta colocar SAF no papel se o clube continuar administrado com improviso, promessas vazias e falta de transparência. SAF sem governança vira só mudança de placa.

A verdade é simples: o futebol brasileiro precisa de dirigentes com perfil de gestor — e não de político. Precisa de metas, orçamento, compliance, auditoria, planejamento esportivo e financeiro. Precisa de clubes que entendam que ganhar título é consequência de gestão sólida, e não de aposta.

Se o Brasil quer um futebol forte, competitivo e sustentável, o caminho está evidente: menos discurso, mais profissionalismo. Menos improviso, mais planejamento. Menos paixão mal administrada, mais respeito ao torcedor, ao patrimônio e à história de cada camisa.

Porque uma coisa é certa: quando a gestão falha, quem paga a conta é sempre o mesmo — o clube, a torcida e a tradição.

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