Câmara Federal abre concurso com salários de até R$ 30 mil — e a conta, como sempre, fica para o contribuinte

Edital prevê 70 vagas imediatas e mais 70 para cadastro reserva, com remunerações entre R$ 21 mil e R$ 30 mil. Em um país com déficit e carências históricas, cresce a indignação com a expansão de estruturas públicas.

Foto: Câmara Federal

A Câmara dos Deputados publicou um novo concurso público com 70 vagas imediatas e previsão de outras 70 para cadastro reserva, com salários que variam de aproximadamente R$ 21 mil a R$ 30 mil mensais, para jornada de 40 horas semanais. A notícia, por si só, já chama atenção. Mas o impacto real está no contexto: o Brasil segue convivendo com rombos fiscais, serviços públicos desiguais e uma sociedade pressionada por impostos altos, enquanto algumas estruturas continuam crescendo — e crescendo caro.

O concurso, divulgado oficialmente pela própria Câmara, prevê cargos de nível superior, com oportunidades para áreas técnicas e administrativas do Legislativo. E o que provoca desconforto na opinião pública não é o direito de existirem concursos — isso é parte do funcionamento institucional —, mas sim o modelo de expansão de custos, em um cenário nacional onde a prioridade parece sempre estar longe de saúde, segurança, educação ou infraestrutura.

Enquanto milhões vivem com salários mínimos ou dependem de políticas sociais para sobreviver, a estrutura pública que já é considerada entre as mais caras do mundo segue criando postos altamente remunerados. É impossível ignorar o peso simbólico: uma Casa Legislativa que discute ajuste fiscal, déficit e limites orçamentários, ao mesmo tempo em que amplia seu próprio custo operacional.

Segundo informações oficiais, as inscrições começam em 5 de janeiro e as provas estão previstas para 8 de março de 2026, com aplicação em todas as capitais do país. Tudo isso reforça que o concurso não é apenas um fato administrativo — é um fato político, social e econômico.

A pergunta que fica no ar é inevitável: como explicar ao cidadão comum que o Estado precisa apertar o cinto, mas não consegue conter o crescimento das próprias estruturas? Em qualquer empresa privada, um aumento desse tipo exigiria justificativa baseada em produtividade, eficiência e resultado mensurável. No setor público, muitas vezes, o argumento é apenas “necessidade institucional”. E isso já não convence mais uma população que se sente sufocada, trabalha muito e recebe pouco.

A Câmara é essencial para a democracia. Mas democracia não pode ser sinônimo de máquina cara, distante e blindada da realidade. Quando concursos com salários de elite surgem em sequência, em um país com filas no SUS, escolas precárias e violência crescente, o sentimento coletivo é de que o Brasil segue sendo um país onde o poder público pesa muito — e devolve pouco.


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