Cuba entra em colapso e paga o preço de décadas de autoritarismo e isolamento
Falta de energia, combustíveis e alimentos expõe o esgotamento do regime cubano, enquanto a população segue refém de um modelo que se recusa a mudar.

Cuba vive hoje um cenário que já não pode mais ser tratado como crise pontual ou dificuldade passageira. Trata-se de um colapso anunciado, construído ao longo de décadas por um regime que se recusa a rever seus próprios princípios, mesmo diante do empobrecimento contínuo da população e do agravamento das condições básicas de sobrevivência. Ano após ano, o país se fecha, a economia encolhe e o cotidiano do povo cubano se torna mais duro, mais escasso e mais dependente.
A maioria da população vive em condições de pobreza ou indigência, com acesso limitado a alimentos, medicamentos, energia elétrica e transporte. O que antes era vendido ao mundo como “resistência ideológica” hoje se traduz em prateleiras vazias, hospitais sem insumos e um sistema produtivo praticamente inexistente. A promessa de igualdade deu lugar à miséria generalizada, administrada por um Estado que controla tudo, mas entrega cada vez menos.
A situação se agravou dramaticamente nos últimos meses com a escassez quase total de combustíveis. Com restrições severas à importação de petróleo e sem capacidade interna de produção ou refino suficiente, o país mergulhou em apagões prolongados que paralisam cidades inteiras. A falta de energia elétrica já não é exceção: virou regra. Residências, comércios, hospitais e serviços básicos operam de forma intermitente ou simplesmente deixam de funcionar.
Nesta segunda-feira, o próprio governo cubano admitiu não possuir combustível suficiente nem mesmo para abastecer aeronaves que chegam ao país, o que inviabiliza o retorno dessas aeronaves aos seus pontos de origem. O episódio expõe de forma brutal o nível de desorganização e colapso logístico enfrentado pela ilha. Quando um país não consegue garantir sequer o abastecimento mínimo de aeroportos, o problema deixa de ser econômico e passa a ser estrutural.
Esse cenário atinge em cheio o último grande pilar de geração de receitas de Cuba: o turismo. Com o tráfego aéreo comprometido, o fluxo de visitantes internacionais — já reduzido — tende a despencar ainda mais. Hotéis vazios, serviços paralisados e divisas inexistentes formam um ciclo perverso que aprofunda a crise. Sem turistas, não há entrada de dólares. Sem dólares, não há importação de alimentos, remédios ou combustíveis. O sistema entra em colapso sobre si mesmo.
O impacto se espalha também pelo transporte interno. Sem combustível, caminhões não circulam, ônibus desaparecem das ruas e a distribuição de alimentos e medicamentos se torna caótica. Mesmo quando há produtos disponíveis, eles simplesmente não chegam ao destino. O país para. E quando tudo para, quem sofre não é o regime, mas o cidadão comum, que passa horas em filas, vive à mercê de racionamentos e perde qualquer perspectiva de futuro.
O mais grave é que nada disso é novo. Cuba não está colapsando por falta de alertas. O colapso é consequência direta de um modelo autoritário, centralizador e avesso a reformas reais. Um sistema que sufoca a iniciativa privada, criminaliza a liberdade econômica e impede qualquer forma de prosperidade sustentável. O embargo externo, frequentemente usado como desculpa oficial, não explica décadas de estagnação, improdutividade e controle absoluto da vida social e econômica.
Diante do caos instalado, a responsabilidade recai sobre o poder que governa a ilha há mais de meio século. Cabe ao regime flexibilizar suas posições, abandonar dogmas ideológicos e sentar à mesa de negociações em benefício do povo cubano. Persistir no autoritarismo, na repressão e no isolamento significa prolongar o sofrimento de uma população que há muito deixou de escolher seu próprio destino.
Cuba não vive uma crise de energia. Vive uma crise de modelo. E enquanto o regime insistir em se manter intacto, será o povo — e somente o povo — quem continuará pagando a conta.
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