Quando o mar para, a conta chega

Defeso do camarão protege a natureza, mas impõe meses difíceis a milhares de famílias do litoral catarinense.

Imagem gerada por IA

O litoral de Santa Catarina abriga um contingente expressivo de pescadores artesanais e profissionais que dependem diretamente da pesca do camarão, especialmente do arrasto, para garantir renda e sustento. Até o final de janeiro, a atividade segue liberada. A partir do início de fevereiro, porém, entra em vigor o período de defeso, quando a pesca do camarão fica proibida para garantir a reprodução da espécie e a preservação dos estoques naturais.

Do ponto de vista ambiental, o defeso é fundamental. Sem ele, o camarão simplesmente deixaria de existir em quantidade suficiente para manter a própria atividade pesqueira no futuro. O problema é que, na prática, quando o mar “fecha”, a renda também some. Para milhares de pescadores e suas famílias, esse período representa meses de incerteza, contas acumuladas e dificuldade real para colocar comida na mesa.

Muitos desses trabalhadores vivem exclusivamente da pesca. Não há salário fixo, reserva financeira ou alternativa imediata de emprego. O auxílio-defeso, quando acessado, ajuda, mas frequentemente é insuficiente para cobrir despesas básicas, além de enfrentar atrasos, burocracia e critérios que deixam parte dos pescadores de fora do benefício.

O drama se repete ano após ano em comunidades tradicionais do litoral catarinense. Pais de família que conhecem o mar como poucos, mas que, em terra firme, encontram poucas oportunidades. A pesca artesanal, apesar de sua importância econômica, cultural e histórica, ainda recebe pouca atenção quando o assunto é política pública estruturada.

Especialistas e entidades ligadas ao setor defendem alternativas que poderiam reduzir o impacto do defeso, como programas temporários de qualificação profissional, incentivo ao turismo comunitário, apoio à manutenção de embarcações, projetos de maricultura, pesca de espécies permitidas no período e maior integração dos pescadores em ações ambientais remuneradas. São caminhos possíveis para que a preservação não signifique abandono social.

Proteger o meio ambiente é essencial. Mas proteger quem vive dele também é. O desafio está justamente no equilíbrio: garantir a sustentabilidade do mar sem condenar ao sofrimento quem sempre dependeu dele para sobreviver. Enquanto isso não for tratado com a seriedade necessária, o defeso continuará sendo, para muitos, um período de silêncio no oceano e de aperto dentro de casa.

AVISO IMPORTANTE: até o próximo dia 5 de fevereiro os pescadores precisam atualizar seu cadastro junto ao Ministério da Pesca e Aquicultura, sob pena de perderem benefícios.

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