América de quem?

Doutrina Monroe nasceu em 1823 para barrar a volta do colonialismo europeu — e agora reaparece no tabuleiro para conter a influência chinesa. No meio disso tudo, está o Brasil.

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A Doutrina Monroe é uma daquelas ideias que atravessam séculos e voltam à cena quando o mundo entra em tensão. Ela não surgiu “na década de 20 do século XVIII”, como muita gente repete por aí: foi proclamada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam longe de ser a superpotência que se tornariam. O recado era direto: as Américas não deveriam mais ser alvo de novas aventuras coloniais europeias — uma espécie de “deixa que este hemisfério é nosso”, vendida como proteção à soberania do continente.

Com o tempo, a frase “América para os americanos” foi ganhando camadas. O que começou como defesa contra impérios europeus passou a ser usado como justificativa de influência geopolítica, com impactos reais na história latino-americana. No século XX, a lógica se encaixou no grande conflito da Guerra Fria: conter a expansão soviética no “quintal” do hemisfério ocidental. A doutrina, na prática, virou uma lente: quando convinha, era soberania; quando interessava, era intervenção — e essa ambiguidade nunca deixou de existir.

Agora, no século XXI, a Doutrina Monroe reaparece com outra “ameaça” no radar: a China. Não se trata de discurso abstrato. A presença chinesa na América Latina cresceu com comércio, crédito, tecnologia e infraestrutura — e isso muda o equilíbrio regional. O Brasil, por óbvio, está no centro do tabuleiro: desde 2009, a China é o principal parceiro comercial brasileiro, e chegou a patamares gigantescos de compra de produtos nacionais, consolidando uma dependência comercial que é oportunidade e, ao mesmo tempo, risco estratégico se não houver diversificação e inteligência de negociação.

É aqui que entram as consequências “para o bem ou para o mal”. Para o bem: mais mercado, mais investimento, mais competição por influência pode gerar acordos melhores. Para o mal: o país pode ser puxado para uma polarização externa que não resolve as urgências internas — produtividade, educação, segurança jurídica, infraestrutura eficiente e custo Brasil. E há um detalhe que costuma ficar fora dos debates rasos: em geopolítica, o problema raramente é o parceiro; quase sempre é a fragilidade do anfitrião. País forte negocia. País frágil se submete.

A questão, portanto, não é escolher torcida entre Estados Unidos e China. É entender que a Doutrina Monroe voltou ao vocabulário porque o mundo voltou a disputar zonas de influência — e quem não tiver projeto de nação vira peça do jogo dos outros. Ao Brasil cabe uma decisão adulta: defender seus interesses com pragmatismo, sem ingenuidade, com transparência e com um objetivo simples de explicar ao povo: prosperidade real, soberania real e menos dependência de qualquer lado.

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