Câmara vai discutir fim da escala 6×1 e redução da jornada para 36 horas; impacto preocupa empresas e consumidores

Projeto que reduz a carga semanal de 44 para 36 horas deve avançar no início do ano legislativo e reacende debate sobre custos, empregos e preços.

DMA: IA

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou que pretende dar andamento, no início do próximo ano legislativo, a PEC apresentada por uma deputada do PSOL que propõe o fim da chamada escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas. A proposta, que volta ao centro do debate político, promete gerar efeitos profundos na economia, atingindo empresas de todos os portes e, inevitavelmente, o bolso do consumidor.

Do ponto de vista técnico, a redução da jornada sem diminuição proporcional de salários representa aumento direto do custo da hora trabalhada. Na prática, o empregador passaria a pagar mais para produzir o mesmo volume de bens ou prestar o mesmo nível de serviços. Para grandes empresas, isso pode significar reestruturações internas, investimentos em automação ou contratação de mais funcionários. Para pequenas e médias empresas — especialmente comércio, serviços e setores intensivos em mão de obra — o impacto tende a ser ainda mais sensível, pois a margem de absorção de custos é limitada.

Outro ponto crítico é a necessidade de recomposição de equipes. Com menos horas trabalhadas por funcionário, muitos empregadores teriam de contratar novos colaboradores para manter o funcionamento contínuo do negócio, o que eleva gastos com encargos trabalhistas, benefícios, treinamento e gestão. Em segmentos como supermercados, restaurantes, logística, segurança e saúde, a mudança pode alterar completamente a organização das escalas e a viabilidade financeira das operações.

As consequências não se limitam às empresas. Sempre que o custo de produção sobe, o repasse tende a ocorrer ao longo da cadeia econômica. Produtos e serviços ficam mais caros, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população. Mesmo consumidores que não se beneficiariam diretamente da redução da jornada acabariam impactados pelo aumento de preços, o que gera um efeito distributivo controverso.

Defensores do projeto argumentam que jornadas menores podem melhorar a qualidade de vida, reduzir o adoecimento ocupacional e elevar a produtividade. No entanto, especialistas alertam que esses ganhos não são automáticos e dependem de fatores como setor econômico, nível de capitalização das empresas, qualificação da mão de obra e ambiente regulatório. Em economias com baixa produtividade média, como a brasileira, mudanças abruptas podem gerar efeitos colaterais indesejados, como informalidade, redução de contratações ou até fechamento de negócios.

A discussão, portanto, exige mais do que slogans ou posições ideológicas. Trata-se de uma mudança estrutural nas relações de trabalho, com reflexos diretos sobre emprego, competitividade, preços e consumo. Ao avançar com o debate, o Congresso terá o desafio de equilibrar legítimas demandas sociais com a realidade econômica do país, sob pena de criar um problema maior do que aquele que se pretende resolver.

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