Grupo Cassol — da serraria de Urubici ao ecossistema que abastece obras no Sul

Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Em 1958, numa serraria de Urubici (SC), Adroaldo Cassol e o pai, Ernesto, deram o primeiro passo de uma história que sairia do cheiro de madeira recém-cortada para o varejo, a indústria e o imobiliário. A virada para materiais de construção começaria em 1967; depois viriam as primeiras lojas fora da capital, a expansão ao Paraná e a consolidação de uma marca que aprendeu a traduzir obra em serviço — preço, sortimento e entrega. Hoje, a bandeira Cassol Centerlar é referência regional, com presença em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul e uma malha que inclui três centros de distribuição.

O varejo virou espinha dorsal, mas não anda sozinho. O Grupo Cassol opera em quatro frentes: o Centerlar (home center), a Cassol Pré-Fabricados (o maior complexo industrial de pré-fabricados de concreto do país, com capacidade anual de +180 mil m³ e 8,7 mil obras entregues), a Cassol Real Estate (R$ 1,3 bilhão em patrimônio sob gestão e +370 mil m² de ABL) e a Cassol Florestal (16 fazendas próprias, +3,6 mil ha e 1,5 milhão de árvores plantadas). É um ecossistema que conecta do pilar ao piso — projeto, fábrica, logística e loja.

No salão de vendas, a leitura é direta: liderança na Região Sul e 5ª posição nacional entre varejistas de materiais de construção, com mais de 25/30 lojas na rede e 2,4 mil empregos diretos. É a tradução de uma tese simples — estocar fundo, negociar bem, atender rápido —, aliada a marcas exclusivas e a um catálogo que passa de 40 mil itens.

O ciclo recente adicionou escala competitiva. Em março de 2024, a Cassol e a Todimo anunciaram integração comercial (compras, sortimento e logística unificados) para enfrentar gigantes globais do setor; juntas, somam > R$ 2 bilhões em faturamento, 66 lojas e seis CDs — a operação foi submetida ao Cade. Não é fusão; é sinergia de volume e eficiência, sem abrir mão da expansão orgânica nas praças onde a marca já é forte.

Mas a grandeza de uma rede se mede também nas rotinas invisíveis: quem confere nota e endereça palete no CD de São José, quem corta concreto na Pré-Fabricados, quem atende orçamento de obra no balcão ou cuida das florestas que sustentam o ciclo. É gente que, dia após dia, transforma um negócio familiar catarinense em serviço para milhares de lares, comércios e canteiros de obras. Reconhecer essa história é reconhecer décadas de trabalho que ajudaram a moldar o jeito catarinense de construir.

Linha do tempo — marcos essenciais
1958 — Fundação da madeireira por Adroaldo e Ernesto Cassol, em Urubici (SC).
1967 — Entrada no varejo de materiais de construção.
1990 — Primeira loja fora da capital: Itajaí (SC).
1992–1997 — Chegada ao Paraná (Santa Cândida e Rebouças, Curitiba).
2006 — Primeira loja em shopping (Joinville/SC, Shopping Mueller).
2010s–2020s — Consolidação do grupo em quatro verticais (Centerlar, Pré-Fabricados, Real Estate, Florestal).
03/2024Integração comercial Cassol + Todimo (>R$ 2 bi combinados; 66 lojas; 6 CDs), aguardando Cade.

Mais que uma sequência de inaugurações, a trajetória do Grupo Cassol mostra o que Santa Catarina constrói quando integra indústria, logística e varejo. Fica o reconhecimento — aos fundadores, às novas lideranças e às equipes que fazem o “chão de loja” e o “chão de fábrica” conversarem — por uma obra que, ao longo de décadas, ajudou a erguer casas, galpões e cidades inteiras. Quando a cadeia toda trabalha junto, o resultado aparece no canteiro — e na vida de quem precisa construir.

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