Irã em chamas: o regime aguenta até quando?
Protestos se espalham pelo país, denúncias de repressão e mortes aumentam e a crise vira peça central no tabuleiro geopolítico entre EUA, China e Rússia

O Irã entrou num daqueles pontos de ruptura em que a história parece acelerar. Protestos se multiplicam em diversas cidades, a repressão aumenta e a contagem de vítimas vira, por si só, um termômetro da gravidade. Estimativas variam conforme a fonte — e isso é parte do problema —, mas já há relatos de centenas de mortos e de uso de munição real, inclusive com registros hospitalares apontando um salto dramático de fatalidades.
No meio desse cenário, a ONU fez um alerta direto para que o país evite “mais derramamento de sangue”, enquanto a tensão externa sobe de tom. A própria comunicação da ONU registrou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que o país estaria pronto para “resgatar” manifestantes caso o governo iraniano continue autorizando força letal — e Teerã reagiu formalmente, levando o caso à esfera diplomática.
A leitura que cresce fora (e dentro) do Irã é que o regime se sustenta cada vez mais pela força, e cada vez menos por legitimidade. Quando a rua não recua e o Estado responde com prisões em massa e violência, abre-se uma espiral perigosa: mais repressão gera mais revolta; mais revolta exige mais repressão. E esse tipo de ciclo, historicamente, ou termina em recuo político — ou em colapso.
Mas há um componente que pesa como chumbo: geopolítica. Para Washington, a crise iraniana não é só “direitos humanos” ou “estabilidade regional”. Ela encosta em duas obsessões estratégicas: o programa nuclear e o redesenho de alianças. Se o Irã muda de regime (ou muda de rumo), muda também o equilíbrio de poder no Oriente Médio — e pode enfraquecer a engrenagem de aproximação que Teerã construiu com Moscou e Pequim nos últimos anos. A cooperação militar Irã–Rússia, com acusações e evidências recorrentes de transferência de drones e tecnologia usada no teatro de guerra europeu, colocou o país ainda mais no radar do Ocidente.
É por isso que a crise deixa de ser “apenas” iraniana. Um Irã isolado e empobrecido é uma coisa; um Irã que vira satélite funcional de interesses maiores é outra. Para Trump, quebrar ou enfraquecer essa triangulação (Irã–Rússia–China) seria uma vitória geopolítica que vale mais do que discursos — e, para China e Rússia, perder Teerã como parceiro é perder influência, rotas, energia, acesso e poder de barganha.
O que vem agora? Não existe “previsão segura” em crise dessa escala. Mas o mundo já entendeu o essencial: quando um povo decide não voltar para casa — e o governo responde como se estivesse em guerra contra os próprios cidadãos — o regime começa a perder o ativo mais caro que existe: o tempo.
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