Mao Tsé-Tung: a história que não pode ser esquecida

Líder da Revolução Chinesa, Mao marcou o século XX com conquistas políticas, tragédias humanas e decisões que custaram milhões de vidas.

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A história do século XX não pode ser contada sem a figura de Mao Tsé-Tung. Reverenciado por uns, temido por outros, Mao foi o principal líder da Revolução Comunista Chinesa e fundador da República Popular da China, em 1949. Sua trajetória é marcada por uma ascensão política fulminante, pela consolidação de um poder absoluto e por políticas que provocaram uma das maiores tragédias humanas já registradas em tempos de paz.

Nascido em 1893, em uma família camponesa da província de Hunan, Mao construiu sua formação política em meio ao colapso do Império Chinês e às humilhações impostas ao país por potências estrangeiras. Ainda jovem, aderiu ao marxismo e foi um dos fundadores do Partido Comunista Chinês, em 1921. Após anos de guerra civil contra o Kuomintang e de resistência à invasão japonesa, Mao emergiu como o líder incontestável do movimento comunista, conduzindo o partido ao poder.

No comando da China, Mao implementou uma profunda transformação política, econômica e social. Nacionalizou terras, eliminou antigos proprietários rurais, suprimiu opositores e instaurou um regime de partido único. A promessa era construir uma sociedade igualitária e livre das desigualdades históricas. O resultado, no entanto, foi marcado por decisões desastrosas. O episódio mais emblemático foi o “Grande Salto Adiante”, no final da década de 1950, quando uma tentativa forçada de industrialização e coletivização agrícola levou a uma fome em escala gigantesca. Estimativas históricas apontam que entre 30 e 45 milhões de pessoas morreram nesse período.

A tragédia não se encerrou ali. Na década de 1960, Mao lançou a Revolução Cultural, uma campanha ideológica que incentivou jovens a perseguirem professores, intelectuais, artistas e até membros do próprio partido, acusados de “desvios burgueses”. O país mergulhou no caos, com perseguições, prisões, humilhações públicas e execuções. A destruição cultural foi profunda, e o trauma social, duradouro.

Ao longo de seu governo, os números de mortes atribuídas direta ou indiretamente às políticas de Mao variam conforme a fonte, mas historiadores concordam que ultrapassam dezenas de milhões. Ainda assim, sua imagem permanece oficialmente cultuada na China, onde o Estado evita revisões críticas profundas sobre seu legado, destacando conquistas como a unificação do país e a expulsão de influências estrangeiras.

Relembrar Mao Tsé-Tung não é um exercício de provocação ideológica, mas de responsabilidade histórica. Apagar ou relativizar erros do passado é o primeiro passo para repeti-los. Regimes autoritários, quando concentrados em líderes messiânicos e protegidos por narrativas oficiais, tendem a produzir sofrimento em larga escala. A história existe para ensinar, alertar e impedir que tragédias humanas se tornem apenas números em livros esquecidos. Ignorá-la é sempre o caminho mais curto para o mesmo desfecho.

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