Meia Entrada
Texto reproduzido do livro “Histórias de Aprendiz” publicado pelo colunista.

Gustavo não era torcedor fanático. Acompanhava os resultados do seu time sem grandes paixões. Fazia anos que não pisava num estádio de futebol. Assim como muitos, tinha saudades do tempo em que ir ao Maracanã ou ao Morumbi era um programa prazeroso para pais e filhos e lamentava os espetáculos de violência protagonizados por bandos que se diziam “torcidas organizadas”.
Naquele sábado de outono, atendendo ao pedido dos filhos, resolveu acompanhar ao vivo o jogo da final do campeonato estadual. Os filhos tinham onze e nove anos, mas não aparentavam grande diferença de idade.
Chegou cedo ao estádio. Enfrentou a fila para a compra de ingressos. Mesmo antes de chegar ao guichê da bilheteria, leu os dizeres da placa: “Adultos – 20 reais. Crianças menores de 10 anos – 5 reais.”
– Duas inteiras e uma meia – pediu.
O bilheteiro espiou as crianças pelas grades e perguntou:
– Qual a idade dos meninos?
– Onze e nove anos – explicou Gustavo.
– Ora, compra uma inteira e duas meias – sugeriu o bilheteiro. E ainda passou a senha do logro: – O senhor vai economizar 15 reais. E ninguém vai saber mesmo, parece que têm a mesma idade.
– Até pode ser… Acontece que eles sabem a idade que têm! – E Gustavo deu a conversa por encerrada: – Duas inteiras e uma meia, por favor!
História contada pelo jornalista Luiz Carlos Prates,
em seu programa na rádio CBN-Florianópolis/SC.
