A exigida evolução administrativa nas entidades esportivas, cria uma dúvida que deveria ser mais discutida: os dirigentes devem ser remunerados?

Sou do tempo em que, em todos os setores dessas atividades, as pessoas ocupavam funções por pura abnegação, uma forma de mostrar amor pela entidade e o reconhecimento da necessidade de contribuir com a sua história. Uma aceitação da obrigação de fazer parte do desenvolvimento de um segmento que, não raras vezes, representava uma continuidade familiar. Era o tal do “pai para o filho” e às vezes, do avô até o neto.

Mas os tempos mudaram e nem no chamado “esporte amador” é mais aceitável trabalhar sem remuneração. Os que não ganham diretamente o fazem por vias indiretas, com bonificações e os chamados penduricalhos. Mas o problema não é o salário e sim o tamanho dele. Tem clube grande em nível nacional que paga ao seu presidente R$ 30.000,00 mensais, o que é absolutamente aceitável. Mas também tem clube cuja remuneração do presidente é estabelecida pelo percentual (80 por cento) do salário de um Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) como se as funções tivessem qualquer relação.

Mas o que não se explica mais é essa dedicação em tempo integral por amor ou apenas por poder. Afinal são dois ou três anos de mandato e o inexplicável é que mesmo sem ganhar, todos querem a reeleição. O presidencialismo dos clubes precisa ser mais bem acompanhado, mas ocorre que as oposições estão morrendo ou enfraquecendo. Quem não está no poder, quer participar do jogo e se tornar “situação”. Como na maioria dos casos os conselheiros aprovam as contas do clube legitimando tudo o que é feito pelo presidente e seus pares, muitos clubes são geridos como uma entidade de amigos.

É nesse campo que a transformação da Associação em SAF (com boa administração) pode ser uma solução.

O esporte vive uma revolução que muitos ainda insistem em não enxergar. A era da gestão amadora acabou. Hoje, instituições esportivas lidam com grandes volumes de recursos, impacto social relevante e um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso, o que não comporta improviso, personalismo ou práticas opacas. Quem ignorar esse movimento vai dançar… ou já dançou.

Emoções ou decepções

Uma série de jogos decisivos no Campeonato Catarinense Fort Atacadista, que colocam o carnaval em segundo plano, tem prospecções que vislumbram o céu e o inferno. A semifinal do Estadual (Chapecoense, Brusque, Camboriú e Barra) que direciona seu vencedor para disputa do título estadual, o quadrangular da morte (Figueirense, Marcílio Dias, Carlos Renaux e Joinville) que rebaixa três deles para a Série B estadual e a Taça ACESC 70 Anos (Avaí, Criciúma, Santa Catarina e Concórdia) que dá ao vencedor uma vaga para a Copa do Brasil. Certamente emoções e decepções, não vão faltar.

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