O ícone que o mito esconde

A trajetória de Che Guevara revela um revolucionário marxista celebrado em camisetas, mas marcado por violência, intolerância e violações de direitos humanos.

Imagem gerada por IA

Ernesto “Che” Guevara tornou-se um dos rostos mais reproduzidos do século XX. Símbolo pop, estampa de bandeiras e camisetas, sua imagem atravessou gerações como sinônimo de rebeldia e revolução. O que raramente acompanha o ícone, porém, é a história completa — aquela que não cabe no mito e precisa ser lembrada para que erros do passado não se repitam.

Nascido na Argentina, em 1928, Che formou-se em medicina e ganhou projeção política ao se aproximar dos irmãos Castro durante as viagens pela América Latina. A partir de 1956, integrou a guerrilha que derrubou Fulgencio Batista em Cuba, tornando-se um dos principais líderes da Revolução Cubana. Após a vitória, ascendeu rapidamente ao núcleo duro do novo regime.

Longe do romantismo, Che foi peça central na consolidação do poder revolucionário. Como comandante da fortaleza de La Cabaña, em Havana, supervisionou julgamentos sumários e execuções de opositores. Registros históricos e testemunhos apontam para centenas de mortes sob sua responsabilidade direta, muitas delas sem direito pleno de defesa — prática incompatível com qualquer noção de Estado de Direito.

Marxista convicto, Che defendia a revolução armada como método legítimo e acreditava na necessidade de “purificar” a sociedade de elementos considerados contrarrevolucionários. Essa visão levou à perseguição sistemática de minorias, incluindo homossexuais, religiosos e dissidentes políticos. Em Cuba, campos de trabalho forçado — as chamadas UMAPs — foram criados para “reeducação” ideológica, atingindo especialmente aqueles que não se enquadravam no padrão moral do regime.

No plano econômico, Che ocupou cargos estratégicos, como presidente do Banco Central e ministro da Indústria, mesmo sem formação na área. Suas políticas voluntaristas e avessas à lógica econômica contribuíram para ineficiências, escassez e dependência externa, aprofundando problemas estruturais que marcariam o país por décadas.

Insatisfeito com a burocracia do poder, Che deixou Cuba para exportar a revolução. Tentou a guerrilha no Congo e, depois, na Bolívia, onde foi capturado e executado em 1967. Morreu jovem, o que ajudou a cristalizar a imagem do “revolucionário romântico”, dissociada das consequências reais de suas ações.

Contar a história de Che Guevara sem filtros não é negar a complexidade do personagem, mas reconhecer que símbolos também precisam ser confrontados com fatos. A idealização acrítica apaga vítimas, relativiza violações e empobrece o debate histórico. Memória não é culto. É aprendizado. E a história, quando esquecida ou suavizada, cobra seu preço.

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