O jogo virou em SC?

A pré-candidatura de Gelson Merísio ao governo pode embaralhar a direita e abrir uma avenida para a disputa do Senado — onde não há segundo turno.

Santa Catarina já vinha convivendo com um roteiro conhecido no campo chamado de direita: três nomes fortes orbitando as duas vagas ao Senado — Carol de Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin — em um cenário de pré-candidaturas, costuras, recados e disputas internas. O assunto se repetiu em incontáveis análises e matérias, aqui e em diversos veículos. Só que agora entrou um elemento novo no tabuleiro. E ele muda o jogo.

A anunciada pré-candidatura do ex-deputado Gelson Merísio ao governo do Estado tem potencial para produzir um desfecho imprevisível. Não necessariamente porque Merísio se apresente como favorito natural ao cargo — ele está fora da disputa eleitoral desde 2018 —, mas pelo efeito político que sua presença pode gerar na estratégia nacional e, principalmente, na corrida pelo Senado.

O ponto central, aqui, é entender que Brasília olha para 2026 com um foco quase obsessivo: o Senado Federal. A esquerda nacional, liderada pelo presidente Lula, tem um objetivo claro — ampliar força na Casa e reduzir a margem de risco em votações sensíveis. Cada cadeira conta. Cada estado é uma batalha. E Santa Catarina, historicamente mais resistente ao campo governista, virou uma peça valiosa.

É dentro desse contexto que a hipótese ganha força: uma candidatura ao governo com apoio do campo progressista pode ser menos sobre vencer o Executivo estadual e mais sobre criar palanque, tempo, estrutura e musculatura para um projeto de Senado. E, nesta lógica, o nome que aparece como prioridade é o de Décio Lima — aliado antigo, quadro orgânico e figura de confiança do presidente.

O raciocínio é simples e, por isso, perigoso: na disputa ao Senado não existe segundo turno. Se o campo da direita entrar fragmentado, com excesso de candidaturas competitivas e sem coordenação, a soma pode favorecer quem entra com um eleitorado fiel, estrutura nacional e uma candidatura com menos divisão interna. A “encrenca” da direita — se não for resolvida — pode acabar sendo o melhor combustível para a esquerda conquistar uma vaga em um estado onde, em condições normais, isso seria muito mais difícil.

Merísio, portanto, vira um fator de desequilíbrio. Se sua pré-campanha for confirmada e se consolidar com apoio de forças alinhadas a Lula, o jogo passa a ser de engenharia eleitoral: criar ambiente para que a disputa majoritária gere tração e transfira votos para o Senado. Não é uma novidade no Brasil. É método. E funciona quando o adversário se divide.

Nada disso é fato consumado. É análise. Mas é justamente por isso que o cenário merece atenção: porque, com a entrada de um novo ator no Executivo estadual, o Senado pode deixar de ser apenas uma disputa entre nomes da direita e passar a ser um confronto real por vaga — com chances matematicamente ampliadas para o campo governista.

Agora, o que decide esse enredo não será discurso pronto nem narrativa de rede social. Será coordenação política, leitura de risco e capacidade de unificar. Quem não entender o peso do “sem segundo turno” pode acordar tarde demais quando o placar já estiver fechado.

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