O mito que empobreceu um país

Da revolução ao poder absoluto, a trajetória de Fidel Castro marcou Cuba com autoritarismo, repressão e miséria — uma história que não pode ser apagada.

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Fidel Alejandro Castro Ruz entrou para a história como um dos personagens mais controversos do século XX. Para alguns, símbolo de resistência; para outros, a personificação de um regime autoritário que sacrificou um povo inteiro em nome de uma ideologia. O fato incontestável é que sua trajetória moldou Cuba por mais de meio século — e as consequências ainda são sentidas diariamente pela população da ilha.

Nascido em 1926, Fidel ascendeu politicamente no contexto de forte instabilidade social e corrupção que marcava Cuba nos anos 1950. Em 1959, liderou a Revolução Cubana que derrubou o ditador Fulgencio Batista, prometendo justiça social, soberania e prosperidade. O discurso encantou parte da população e ganhou simpatizantes ao redor do mundo. O que se seguiu, porém, foi a consolidação de um poder absoluto.

Pouco tempo após assumir o governo, Fidel eliminou adversários políticos, dissolveu instituições democráticas, censurou a imprensa e implantou um regime de partido único. A promessa de liberdade deu lugar a um Estado policial, sustentado por vigilância permanente, prisões arbitrárias, perseguições políticas e restrições severas ao direito de ir e vir. Estima-se que milhares de cubanos tenham sido presos por motivos ideológicos ao longo do regime, muitos submetidos a trabalhos forçados e condições desumanas.

No campo econômico, o resultado foi igualmente devastador. A estatização total dos meios de produção, o controle rígido da economia e a repressão à iniciativa privada levaram Cuba a um processo contínuo de empobrecimento. Antes da revolução, o país figurava entre os mais prósperos da América Latina, com indicadores sociais e econômicos acima da média regional. Décadas depois, a população passou a sobreviver com racionamento de alimentos, salários simbólicos e dependência crônica de subsídios externos — primeiro da União Soviética e, posteriormente, de aliados ideológicos.

O contraste mais chocante está no fato de que, enquanto o povo cubano enfrentava escassez, Fidel Castro acumulava uma fortuna pessoal estimada em bilhões de dólares, segundo investigações internacionais. Controlando empresas estatais, contas no exterior e um sistema fechado de poder, o líder que discursava contra o “capitalismo explorador” viveu cercado de privilégios inacessíveis ao cidadão comum.

Fidel morreu em 2016, sem jamais ter sido julgado por violações de direitos humanos. Seu legado permanece dividido entre narrativas romantizadas e a dura realidade de um país que ainda luta para se libertar das amarras de um regime que sufocou liberdades, destruiu oportunidades e empurrou milhões de cubanos para o exílio.

Relembrar essa história não é revanchismo, nem ideologia. É responsabilidade. Apagar erros do passado é o caminho mais curto para repeti-los. E, como sempre, quem paga o preço não são os líderes, mas o povo.

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