O perigo dos atalhos no futebol
Onde todos perdem

Disputar os campeonatos estaduais com os chamados times “alternativos” tem sido o sonho de boa parte dos principais clubes do futebol brasileiro, com fortes respingos por outros de menor expressão. Mas a ideia é um tormento para as federações que desejam ter suas competições cada ano mais valorizadas.
Aqui em Santa Catarina a ideia alternativa já passou pela cabeça de alguns dirigentes, mas foi logo rejeitada.
É preciso, no entanto, que promotoras dos campeonatos e seus filiados busquem um consenso para que as mudanças mais bruscas de rota, como ocorreu este ano com os estaduais, não tragam prejuízos incalculáveis para todos. Sim, porque perdem os clubes, perdem os times, perdem os patrocinadores, os investidores da mídia, os torcedores e a própria organização.
O exemplo mais recente foi o do Flamengo que no campeonato carioca usou o seu chamado Sub-20 e deu vexame no Rio de Janeiro, exigindo o retorno antecipado do grupo principal, no clássico contra o Vasco da Gama.
Os desastrosos resultados colhidos pelo “alternativo” rubro-negro não serviram apenas para denegrir o time. Eles atingiram os interesses comerciais do clube, desvalorizando os jogadores e envergonhando seus torcedores.
Em recuperação
Na minha última coluna coloquei o Barra (Balneário Camboriú) entre as decepções do campeonato estadual catarinense. O simpático e organizado clube, foi o que mais cresceu no futebol catarinense na temporada de 2025, viveu uma situação extremamente complicada e ainda está no caminho da recuperação. Dono de uma administração elogiável e de uma invejável estrutura física, o “pescador” ainda mantém vivo o seu sonho de estar no grupo principal da competição. É aquela velha citação minha: “o futebol não tem e não aceita verdades definitivas”. Com ele, é preciso viver cada jogo, cada momento.
Dois absurdos

Se foi um absurdo o Marcílio Dias ter demitido o treinador Rogélio Silva, logo na segunda rodada, também foi fora de propósito o Figueirense ter dispensado Waguinho Dias, só antes do último jogo. Ele cometeu erros estratégicos e colocou em (desesperador) risco uma centenária e gloriosa instituição. Mas é preciso avaliar que um clube que ostenta o padrão SAF (Sociedade Anônima do Futebol) não pode debitar a culpa total ao seu técnico. Ou essa dita “empresa” não tem supervisor, gerente, diretor, presidente… – afinal, quem entenda um pouco de futebol, sua única atividade – e que mande no seu treinador?
O time até pode salvar o pior, mas chegar até este ponto já foi o suficiente para comprovar a fraqueza administrativa que habita o estádio Orlando Scarpelli. Afinal, é só avaliar que até o momento as únicas vitórias do Figueirense foram contra os dois piores times do campeonato: Joinville e Marcílio Dias. A solução (caseira) é contar com seu ex-jogador – de brilhante passagem pelo clube ao tempo de Adilson Batista – Henrique Lima, para o “jogo do ano”.
No tubo
Chegamos a última rodada do nosso estadual com mais incertezas do que certezas. Faltando apenas um único jogo para evitar o quadrangular da morte (onde apenas um sobrevive) clubes tradicionais como Marcílio Dias e Joinville terão que enfrentar a luta contra o descenso. Eles perderam seus espaços no grupo A, para Camboriú e Concórdia que se garantiram ao lado dos vanguardeiros Brusque e Avaí.
No grupo B, apenas o líder Criciúma está garantido. Os demais (Santa Catarina, Chapecoense, Barra, Figueirense e Carlos Renaux) continuam vivos, brigando por três cadeiras no seleto grupo dos classificados, mesmo que usando o tubo de oxigênio.
Os números
Confira a situação de cada clube, para acompanhar a rodada final no domingo (25) com todos os jogos começando às 18 horas e sem o uso do VAR. Em razão da estrutura técnica da Federação Catarinense de Futebol comportar o acompanhamento de apenas dois jogos simultâneos, e para não conceder privilégios, a entidade decidiu com os clubes, não aplicar a sua ferramenta auxiliar de arbitragem em nenhuma partida.
A classificação:

Os jogos:
Figueirense x Camboriú
Criciúma x Brusque
Santa Catarina x Avaí
Chapecoense x Joinville
Carlos Renaux x Marcílio Dias
Barra x Concórdia.
