O que esperar do Grêmio em 2026? Reforma profunda, elenco “novo” e um time ainda sem cara

Com Odorico Roman eleito para o triênio 2026–2028, clube trocou executivos, comissão técnica e promoveu uma grande reformulação no elenco; apesar disso, o início de temporada ainda entrega oscilações e pouca consistência — e a torcida já começa a cobrar respostas.

Existe, sim, um Grêmio do “antes” e um Grêmio do “agora”. O clube virou a página com a eleição de Odorico Roman para comandar o triênio 2026–2028, em uma votação histórica de participação de sócios. A mudança não ficou restrita ao cargo máximo: o ambiente de gestão passou por trocas de executivos e reconfiguração de áreas-chave, com a promessa de reorganizar a instituição e, principalmente, o futebol.

No campo, a mudança foi ainda mais drástica. A temporada começou com uma espécie de “limpa” no vestiário: o clube chegou a 16 saídas já em janeiro, e a conta continuou subindo nas semanas seguintes. Recentemente o Grêmio atingiu 18 saídas entre o fim de 2025 e o começo de 2026, em diferentes modelos (rescisões, vendas, empréstimos e fim de vínculo). E o total das saídas deve chegar em 21 atletas com as negociações em andamento. É uma reformulação que, na prática, desmonta boa parte do grupo anterior e obriga o clube a se reinventar em tempo recorde.

Do outro lado, chegaram reforços — e aqui também dá para medir o tamanho da virada. No primeiro recorte 4 contratações (Caio Paulista, Tetê, Enamorado e Weverton). Na sequência, a confirmação de outras duas chegadas de reforços para 2026, incluindo nomes como Juan Nardoni, além do volante Pérez. Ou seja: há reposição, mas parte dela é aposta, parte é tentativa de dar “prontidão” imediata e parte ainda depende de encaixe.

A base também entrou nesse pacote. Subiram jovens, mas, até aqui, com utilização limitada — o que é normal em início de trabalho, mas aumenta a sensação de “incompletude” do time, especialmente quando o resultado não vem.

E é aqui que mora o problema central: nos primeiros jogos do ano, seja no Gauchão ou no início do Brasileiro, o Grêmio ainda não apresenta um padrão confiável. Em alguns momentos, entrega bons desempenhos; em outros, cai para atuações medianas, com pouca consistência coletiva. A torcida começa a ficar impaciente porque o diagnóstico do torcedor é simples: quando o time entra em campo, “tudo pode acontecer” — e isso não é elogio, é incerteza.

O contexto recente torna a cobrança ainda mais pesada. Depois de duas temporadas em que a premissa foi não flertar com o rebaixamento, conviver com mais um ano de instabilidade seria preocupante — e decepcionante — para um clube do tamanho do Grêmio. Grandeza exige competitividade, mas competitividade exige método, repetição, time-base e confiança. Reformular é legítimo; reformular sem construir rapidamente uma identidade de jogo vira roleta.

Odorico Roman e a nova comissão técnica não serão julgados apenas por discurso ou intenção. Serão julgados por resposta prática: time com cara, elenco com funções claras e resultados mínimos para tirar o Grêmio do modo “sobrevivência” e recolocá-lo no modo “disputa”. A reconstrução pode até ser real — mas, para um gigante, ela precisa começar a aparecer já.

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