Os números não mentem: produtividade expõe o atraso brasileiro e desmonta narrativas

Indicadores internacionais colocam o Brasil atrás de países desenvolvidos e de vizinhos latino-americanos; produtividade, educação e percepção de corrupção revelam um país que precisa de reformas estruturais — e de escolhas mais conscientes.

A verdadeira situação de um país não se mede por discurso. Mede-se por indicadores. E, quando os números vêm de organismos internacionais, a margem para narrativa diminui drasticamente. O Brasil pode até produzir anúncios, campanhas institucionais e promessas de avanço, mas os rankings globais seguem sendo o espelho mais honesto da nossa realidade.

Recentemente, dois indicadores já haviam colocado o país em posição constrangedora. Em educação, avaliações internacionais como o PISA mostram o Brasil nas últimas colocações entre os países avaliados, especialmente em matemática e leitura, revelando décadas de investimento bilionário com retorno muito abaixo do esperado. Na percepção de corrupção, índices como o da Transparência Internacional mantêm o Brasil em patamares preocupantes, longe dos padrões das nações mais desenvolvidas e institucionalmente sólidas.

Agora, um novo dado reforça a fotografia do atraso estrutural: a produtividade do trabalho, medida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), considerando 184 países. Na última listagem divulgada, o Brasil aparece na 94ª posição, com produtividade de US$ 21,2 por hora trabalhada.

O contraste é evidente. Os Estados Unidos alcançam US$ 81,8 por hora, o Japão US$ 52,7, números típicos de economias desenvolvidas, com alto valor agregado, tecnologia e eficiência produtiva. Mas o que chama ainda mais atenção é o desempenho dentro da própria América Latina. Países como Uruguai (US$ 38,0), Argentina (US$ 33,8) e Chile (US$ 34,4) superam o Brasil com folga. Até Cuba (US$ 22,6) aparece ligeiramente acima.

É um dado que desmonta qualquer discurso de excepcionalismo regional.

Produtividade não é um número frio. Ela representa o quanto um trabalhador consegue gerar de riqueza por hora. E é justamente esse indicador que determina salários mais altos, competitividade internacional, arrecadação sustentável e qualidade de vida. Países produtivos pagam melhor, crescem mais e dependem menos de assistencialismo permanente.

Quando a produtividade é baixa, o ciclo é perverso: salários travam, empresas perdem competitividade, o Estado arrecada menos, o governo gasta mais para compensar desigualdades e a economia entra em espiral de baixo crescimento.

É nesse contexto que surgem debates que parecem caminhar na contramão do necessário. Propostas como a redução da jornada de trabalho sem ganho proporcional de produtividade podem gerar impactos severos sobre custos empresariais, especialmente em setores intensivos em mão de obra. E, historicamente, quem mais sofre quando o custo sobe e o emprego encolhe é justamente quem mais precisa de oportunidade.

O Brasil precisa discutir produtividade, educação básica de qualidade, ambiente de negócios, segurança jurídica, simplificação tributária e eficiência do gasto público. Precisa enfrentar o tamanho e a ineficiência do Estado, reduzir desperdícios e concentrar recursos no que realmente transforma a vida do cidadão.

Não existe milagre econômico sem base estrutural sólida.

A única saída passa, inevitavelmente, pela consciência coletiva. O voto continua sendo o instrumento mais poderoso de mudança institucional. Escolher representantes que apresentem propostas consistentes, que priorizem reformas estruturais e que cumpram o que prometem é condição mínima para reverter o quadro.

Narrativas não elevam produtividade. Discurso não melhora ranking educacional. Promessa não reduz corrupção.

Se o Brasil não mudar a direção — com seriedade, planejamento e compromisso com resultados concretos — o risco é continuar assistindo, ano após ano, a novos relatórios confirmarem o mesmo diagnóstico: um país com potencial enorme, mas incapaz de transformar esse potencial em desempenho real.

Os números já falaram. A pergunta agora é se o país está disposto a ouvir.

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