Para velhos exemplos, novas ações

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Era o ano de 1985 e Pedro Lopes presidia a Federação Catarinense de Futebol, então localizada na rua Vidal Ramos,110, em Florianópolis. Rolava aquele enfadonho Conselho Técnico que deveria aprovar a tabela do Campeonato Estadual do ano. Em torno da mesa oval, estavam os presidentes e outros representantes dos clubes. Assunto colocado em discussão, a elaboração da tabela de jogos, começaram a aflorar opiniões e as tradicionais e interesseiras sugestões. Cada dirigente pensando no seu próprio nariz, o que acabou por tornar o debate frustrante. Irritado com a situação, Pedro Lopes suspendeu o encontro e concedeu 30 minutos para que os clubes apresentassem um esboço de tabela. Tempo esgotado, retomada a discussão, nenhuma sugestão foi posta para análise. Foi quando o presidente chamou o Secretário Geral da entidade, Carlito Nunes, a quem deu a incumbência de projetar a ordem de jogos. Pensativo, com a cabeça amparada pela mão esquerda, de posse de um lápis de carpinteiro (com formato oval) Carlito demorou pouco mais de cinco minutos para cumprir a sua missão, entregando uma sugestão da tabela de jogos. Trabalho prontamente referendado pelo “conselho”.

Lembro do fato para justificar o que penso sobre os dirigentes de clubes (com as devidas exceções). Passado tanto tempo, eles continuam com a mesma “capacidade” administrativa! Vejamos.

Como dantes

Criada em 2015 a chamada “primeira liga” pretendia reunir os clubes numa competição paralela aos interesses da CBF, mas durou pouco. Em conflito com a entidade nacional o torneio não conseguiu prosperar. Como agora, na Sul-Sudeste, os clubes optaram por usar reservas e viram fracassar comercialmente um produto que poderia ser mais rentável.

Mais recentemente, nova investida dos filiados optou por criar não apenas uma, mas duas ligas. “Queremos independência da CBF, que deve cuidar apenas da seleção” disseram os ilustres dirigentes. Na verdade, o que eles queriam mesmo era negociar, de forma individual, os direitos comerciais de seus jogos. Unidade administrativa nunca foi a meta, mas o ponto da discórdia. Tanto que o que mais avançou foram as brigas entre as tais Libra (Liga do Futebol Brasileiro) e LFF (Liga Forte União). A anunciada liga única unificada foi para o espaço.

O voo da águia

Como escrevi na última coluna “se você quiser voar, cerque-se de águias não por galinhas”.

É o que está fazendo o atual presidente da CBF. Cercado de “águias” ele quer voar muito mais alto do que se imagina. Ontem deu um sinal muito claro sobre seus sonhos, reunindo 38 dos quarenta clubes das séries A e B (apenas Chapecoense e Mirassol não compareceram) para propor uma Liga Única no futebol brasileiro. Samir quer um alinhamento entre os clubes e a atual gestão da CBF. Suas águias certamente já lhe informaram que o caminho não é só a unificação, difícil pelos interesses maiores dos chamados “gigantes”, mas a organização de todos.

O que os dirigentes de clubes não alcançaram realizar, numa prova de que tanto quanto no passado as competências de hoje continuam as mesmas, a CBF deseja fazer, o que pode representar um importante e decisivo salto na qualificação do futebol nacional. Aleluia!

10 x 10

Dez rodadas e 10 técnicos demitidos. Por culpa exclusiva da má administração, os clubes vivem na penúria, mas contratam jogadores com salários exorbitantes, formam times medíocres com atletas que não valem o que recebem, mas a vítima continua sendo a mesma: o treinador. O novo exemplo ocorreu no Corinthians, com a demissão de Dorival Jr., Campeão da Copa do Brasil e da Recopa nacional.

Passado e presente

Querem uma prova de como agem os dirigentes? O Santa Catarina (Rio do Sul), demitiu o treinador Betinho Nascimento, depois da derrota (1×0) para o Cascavel, fora de casa, no Brasileiro da Série D. Na justificativa oficial publicada o clube diz que “Betinho teve papel importante na campanha que garantiu a permanência do clube na Série A do Catarinense 2027, a classificação para o Campeonato Brasileiro da Série D 2027 e o avanço até a terceira fase da Copa do Brasil 2026”. Pura falácia, pois bastou perder um jogo para que tudo isso fosse para o lixo.

Prova de que no futebol, o passado conta menos do que o último resultado.

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