Paz em Gaza: muitos dizem “sim” — e alguns dizem “não”

Conselho de Paz lançado por Donald Trump para reconstrução e pacificação de Gaza já reúne adesões no mundo árabe, mas enfrenta resistência de aliados europeus; crítica central vira um espelho incômodo do fracasso da ONU em conter guerras.

Imagem gerada por IA

A proposta de Donald Trump para criar um “Conselho de Paz” voltado à reconstrução e à pacificação permanente da Faixa de Gaza virou, em poucos dias, um termômetro político global. De um lado, países do mundo árabe que, por décadas, foram pressionados a “fazer mais” pela estabilidade da região já aprovaram a participação. Do outro, governos europeus que vocalizaram indignação diante da destruição, agora resistem a sentar à mesa. O resultado é uma pergunta simples — e desconfortável: quando a pauta é paz, quem topa pagar o preço de construir a solução?

O Conselho nasce com um discurso direto: parar o ciclo de guerra, dar condições de reconstrução e criar um caminho de governança para o “dia seguinte” em Gaza. A iniciativa se conecta a um mandato aprovado no Conselho de Segurança da ONU com prazo até 2027, o que desmonta a leitura fácil de que seria “algo fora do sistema internacional”. O que existe, na prática, é disputa de protagonismo — e, principalmente, disputa de narrativa: quem lidera, quem assina, quem banca, quem fiscaliza e quem carrega a conta política se der errado.

É aqui que entra a contradição que este portal aponta. Parte dos países que mais criticaram o conflito usa como justificativa o risco de “enfraquecer a ONU”. O argumento, honestamente, não se sustenta sozinho. A ONU segue relevante em frentes humanitárias e técnicas, mas, no objetivo central que justificou sua criação — evitar que conflitos se eternizem e se expandam — o histórico recente é, no mínimo, frustrante. Reuniões se repetem, resoluções travam em vetos, e o mundo assiste a guerras que não param. Gaza, Ucrânia, tensões no Indo-Pacífico: o ritual diplomático é conhecido, e o desfecho também.

O que parece estar em jogo não é “ONU versus Conselho”, mas a velha lógica da geopolítica: aderir pode significar dar legitimidade a um adversário político, e não aderir pode parecer, para a própria opinião pública, uma recusa em priorizar vidas inocentes. A paz, no fim, vira refém de cálculos internos, alianças externas e medo de desgaste. Enquanto isso, quem precisa de previsibilidade — famílias, civis, crianças, a população que só quer voltar a viver sem sirene e sem escombros — continua sendo o último item da pauta.

O Conselho de Paz, por si só, não garante milagre. Pode falhar. Pode virar disputa burocrática. Pode ser capturado por interesses. Mas a reação ao projeto já revela uma verdade incômoda: muita gente prefere discutir “quem assina a caneta” do que discutir “quem para a morte”. Se a iniciativa vai entregar paz duradoura, só o tempo dirá. Mas a pergunta que fica desde já é incontornável: quando aparece uma tentativa concreta de reconstrução e estabilização, por que tantos preferem ficar na arquibancada — justamente onde discurso custa pouco e vidas continuam custando caro?

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