Prefeito João Rodrigues

Hoje o nosso entrevistado é o prefeito de Chapecó João Rodrigues, que prontamente atendeu ao nosso pedido.
1 – O senhor está no seu quarto mandato como Prefeito da cidade de Chapecó. O que o senhor gostaria de ter feito e, por algum motivo, não conseguiu realizar?
É claro que entrando no quarto mandato já deu para fazer muita coisa. Mas não se fez tudo que gostaria que fosse feito. Nesse último mandato consegui iniciar tudo o que pretendia e fazer praticamente tudo o que gostaria. O que eu pretendia? As obras que mudam a cidade e isso está em andamento. O que eu gostaria? De atender as pessoas, e foi o que eu fiz: cuidar de quem realmente precisa do poder público, estar próximo do povo mais humilde, estar perto das pessoas que mais sofrem e poder abrir a cidade para o desenvolvimento. Eu posso te dizer com muita segurança. Tudo o que eu podia eu fiz. Tudo o que eu gostaria de fazer como prefeito eu também encaminhei. Muito pouca coisa deixei de fazer daquilo que eu queria ter feito. Mas neste novo mandato pretendo concluir o que iniciei e também fazer algumas coisas que não consegui fazer.
2 – A sua história política passa por Prefeito, Deputado Estadual e Deputado Federal. Qual seu próximo desafio, Governo do Estado ou Senado Federal?
Eu já disputei dez eleições, graças a Deus nunca perdi nenhuma, são cinco mandados de prefeito, fui vice-prefeito, dois mandatos de deputado federal, Secretário de Agricultura, deputado estadual e uma eleição vitoriosa para deputado federal mas que por erro judicial não assumi o mandato. Eu sou pré-candidato ao Governo do Estado de Santa Catarina. Gostaria muito de ser governador. Tenho convicção, pela experiência que tenho, pelo período que governei, por conhecer a gestão pública e por conhecer a máquina pública tenho certeza que posso contribuir e muito com o estado de Santa Catarina.
3 – De sua longa carreira política, qual foi o momento ou fato mais marcante e por quê?
De toda a minha vida pública, a parte que mais marca na vida da gente são as vitórias, claro que sim. Mas pra mim o que mais me marcou foi a grande injustiça que aconteceu em 2018. De repente, de uma forma muito injusta, de uma forma tão injusta que o próprio sistema reconheceu o erro, uma prisão, sete meses fechado, preso numa cela, sem ter cometido nenhum tipo de crime. Tanto é verdade que estou como prefeito de Chapecó, pois se crime houvesse, algo de errado eu tivesse feito, eu não seria político hoje, pois estaria na Lei da Ficha Limpa. Pra mim o que mais marcou foi isso. As vitórias todas foram maravilhosas, mas acaba te marcando o momento ruim. E esse momento ruim, apesar de tudo de ruim que teve, teve um aprendizado. O ser humano, ele vê a vida um pouco diferente. Vê as pessoas, vê a sociedade, de maneira diferente. Mas o que marcou a minha vida pública foi a grande injustiça de que fui vítima.
4 – Indiscutível as potencialidades de qualquer natureza que nosso país possui. Na sua visão, o que falta para que definitivamente o Brasil se torne um país desenvolvido?
Acho que o Brasil precisa de uma gestão pública firme, correta, forte, que defenda os interesses do setor produtivo e, consequentemente, os interesses do trabalhador. Gerar empregos, promover a inclusão social, mas que a sociedade toda esteja unida em torno de um grande projeto. Claro que as diferenças políticas e as ideologias fazem parte. Mas num país que produz muito e só não produz mais porque tem gente contra o setor produtivo, temos divergências absurdas que não deveriam existir, tanto num processo político-eleitoral, quanto num processo de gestão. A radicalização da política também é um mal para o Brasil. O que falta realmente é gestão pública firme, forte, coesa, mas equilibrada, com os olhos voltados para o desenvolvimento, para o progresso, para a inclusão social, e isso só tem um jeito, carteira de trabalho e emprego. É isso que melhora a vida das pessoas e o que falta para o país é isso.
5 – Existe por parte da população, principalmente do Sul e Sudeste, questionamentos sobre o modelo estrutural da representação no nosso parlamento federal. Qual a sua visão sobre o assunto e se haveria condições políticas para mudança deste status quo?
Há um desequilíbrio, pelo volume de estados, de parlamentares. Você pega a bancada nordestina ou de Norte/Nordeste, ela é a maioria. Quando você vai eleger um presidente da Câmara dos Deputados ou do Senado, raramente você vai eleger alguém do Sul ou do Sudeste. Raramente isso acontece. Na maioria das vezes é do Norte, Nordeste. E lá as bancadas se fecham em torno dos interesses daquelas regiões. Então por isso que, no âmbito político nós levamos uma desvantagem enorme. Como mudar isso? Vai ser difícil, pela regionalização do Brasil. Apesar que vai ter uma alteração nas cadeiras, Santa Catarina vai aumentar o número de deputados federais de 16 para 20, mas isso não altera muito o cenário em razão do volume de parlamentares de cada região do Brasil.
6 – Uma mensagem para o povo catarinense.
Eu quero agradecer a oportunidade dessa entrevista e deixar para todos os catarinenses um abraço fraterno, dizer que tenho o desejo sim, sou pré-candidato ao governo, gostaria muito de ser o governador de Santa Catarina, pois tudo o que fiz em Chapecó, com quatro mandatos, ninguém consegue se eleger quatro vezes na mesma cidade se não tem um bom serviço prestado. Gostaria de fazer por Santa Catarina, com equilíbrio, com responsabilidade, discutir os problemas crônicos e macro do estado. Ideologicamente eu sou posicionado, historicamente fui um homem de direita, sou da chamada direita raiz, também sou da prática de que quando se vence a eleição, após o processo eleitoral você é o governador de todos os catarinenses. E acho que governador tem sim que estar em Brasília, tem sim que falar com o Presidente da República, para cobrar o direito dos catarinenses. Sempre digo e relembro, Santa Catarina tem saudade de governador estadista, do padrão de Luís Henrique da Silveira, que para mim foi o grande governador deste estado. Acho que todo catarinense que o conheceu tem saudade da maneira e da forma como ele conduzia o executivo, em harmonia com a sociedade e respeito com os adversários. Então eu acho que com o tempo Santa Catarina perdeu muito disso. Eu gostaria muito, tendo a oportunidade de ser governador. Minha inspiração é no perfil do governador Luís Henrique da Silveira, Agradeço a todos e um abraço fraterno.

