PT desenha o caminho para o Senado em SC: Décio Lima no centro, “ponte” com Merísio e o fator Berger no tabuleiro
Com Décio Lima hoje à frente do Sebrae Nacional, a esquerda catarinense trabalha para abrir espaço a uma candidatura competitiva ao Senado em 2026, enquanto a direita tende a ir fragmentada com PL em chapa pura e a manutenção da pré-candidatura de Esperidião Amin — cenário que pode favorecer o PT em eleição de turno único.

O Partido dos Trabalhadores (PT) se movimenta com método em Santa Catarina. E, ao observar os últimos passos, fica cada vez mais claro que o objetivo é tornar real a eleição de Décio Lima ao Senado em 2026, dentro de uma estratégia que combina ampliação de alianças, ocupação de espaços e, principalmente, leitura fria do cenário: a eleição para o Senado é em turno único e premia quem chega inteiro — enquanto a fragmentação do adversário pode ser decisiva.
Décio Lima não é um nome qualquer no tabuleiro. Ele comanda o Sebrae Nacional, cargo que amplia visibilidade, rede institucional e presença nacional — além de consolidar seu vínculo político com o Planalto.
O primeiro movimento estratégico, como vêm apontando análises e bastidores, é tirar o PT da cabeça de chapa ao governo e articular um nome mais “de centro” para disputar o Executivo estadual — exatamente para liberar Décio para a corrida ao Senado com menor rejeição e maior capacidade de diálogo. É nesse contexto que aparece Gelson Merísio como peça-chave: sua pré-candidatura ao governo é tratada como mecanismo para “abrir caminho” ao projeto de Décio ao Senado.
O segundo movimento veio na semana passada e foi mais cirúrgico: o presidente Lula nomeou Djalma Berger para a diretoria administrativa de Itaipu Binacional, em troca na estrutura de comando da usina.
A nomeação, por si só, é um fato administrativo. Mas, politicamente, o sobrenome Berger pesa — e a leitura de bastidores é simples: esse gesto pode servir para reaproximar um eleitorado que não é cativo do PT, especialmente se houver algum tipo de composição futura envolvendo o grupo do ex-senador Dário Berger, irmão de Djalma. A hipótese mais comentada é atrair Dário para o entorno do projeto de Décio (em papel formal ou simbólico), justamente para sinalizar amplitude e capturar votos fora da bolha petista. Neste momento, é estratégia em construção — mas o movimento indica direção.
Do outro lado do campo, o desenho ajuda a explicar por que o PT está animado.
O PL já confirmou chapa pura ao Senado, com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro como pré-candidatos em Santa Catarina.
Ao mesmo tempo, Esperidião Amin reafirmou publicamente que é candidato à reeleição ao Senado — mesmo após a decisão do PL, o que torna a disputa ainda mais pulverizada no campo conservador.
E aqui está o ponto que este portal considera central: a divisão do voto à direita — com três nomes fortes orbitando o mesmo espaço — cria uma janela concreta para que a esquerda, com seu patamar histórico de votos, consiga encaixar ao menos uma cadeira no Senado. Não é torcida. É matemática eleitoral e leitura de cenário.
A pergunta que fica é: a articulação do PT conseguirá transformar estratégia em voto real? Se Merísio de fato ganhar tração ao governo, se a “ponte” Berger se consolidar como sinal de amplitude e se a direita mantiver o canibalismo entre si, as chances de Décio Lima chegar ao Senado em 2027 são, sim, reais.
Agora é acompanhar os próximos capítulos — porque em Santa Catarina, o tabuleiro já está montado. E, ao que tudo indica, as peças estão sendo movidas com antecedência.
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