Rei posto, rei morto
A lógica fria do poder mostra que alianças não são morais nem permanentes — são utilitárias.
Na política interna de qualquer país e, principalmente, na geopolítica, o sistema de poder opera sob uma regra simples e implacável: utilidade. Não há lealdade eterna, não há amizade duradoura, tampouco compromisso ideológico inquebrável. Há interesses. Enquanto um ator político serve a esses interesses, ele é sustentado. Quando deixa de servir, é substituído.

A queda de Nicolás Maduro expõe com clareza esse mecanismo. Durante anos, ele foi peça central em disputas estratégicas, alianças regionais, enfrentamentos ideológicos e jogos de influência entre grandes potências. Enquanto cumpria esse papel, era protegido, tolerado ou instrumentalizado. No momento em que deixou de ser funcional ao tabuleiro, tornou-se descartável. O sistema não hesita. Apenas avança.
Esse padrão se repete ao longo da história. Governantes autoritários, líderes revolucionários, presidentes eleitos ou ditadores consolidados compartilham o mesmo destino quando perdem valor estratégico. O poder não se apega a pessoas, mas a resultados. Quando um nome passa a gerar mais custo do que benefício, sua permanência deixa de ser interessante.
A substituição é sempre rápida. O sistema busca imediatamente um novo ator, alguém capaz de manter o controle, preservar acordos, reorganizar alianças ou, no mínimo, evitar o caos que prejudique interesses maiores. Não há vazio de poder por muito tempo. Onde um cai, outro é preparado.
Esse funcionamento explica por que discursos morais raramente se sustentam na prática política. A retórica muda conforme a conveniência, os princípios se adaptam às circunstâncias e as narrativas são moldadas para justificar decisões já tomadas. O que permanece constante é a lógica: manter influência, garantir estabilidade estratégica e preservar zonas de interesse.
Para os povos submetidos a esses regimes ou transições, o custo costuma ser alto. Mudam os nomes, mudam os discursos, mas a vida real segue marcada por incerteza, instabilidade e, muitas vezes, sofrimento. O sistema troca seus representantes, mas raramente se responsabiliza pelos danos colaterais deixados pelo caminho.
No fim, a frase antiga continua atual: rei posto, rei morto. Não como metáfora, mas como regra operacional do poder. Quem observa a política com menos emoção e mais realismo entende que o script é sempre o mesmo. Só mudam os personagens, o cenário e o momento histórico.
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