Santo Amaro da Imperatriz: águas termais, serra preservada e uma história que brota da natureza
Série “Cidades de SC”

Santo Amaro da Imperatriz é uma cidade em que a natureza não está apenas ao redor — ela está no centro da história, da economia e da identidade local. Localizada na Grande Florianópolis, aos pés da Serra do Tabuleiro, o município construiu sua trajetória a partir de um recurso singular: as águas termais que atraem visitantes há mais de um século e transformaram a cidade em referência de saúde, bem-estar e turismo natural em Santa Catarina.
A história de Santo Amaro da Imperatriz começa ainda no século XIX, quando as propriedades terapêuticas das águas quentes passaram a chamar atenção. O marco mais simbólico desse período é a criação da Estância Hidromineral, que recebeu visitas da família imperial brasileira, incluindo Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina — fato que deu origem ao nome do município. O antigo Hospital de Hidrologia, hoje conhecido como Caldas da Imperatriz, consolidou a fama da cidade como destino de cura, repouso e lazer, muito antes do turismo se tornar atividade estruturada no Estado.
Ao longo do tempo, Santo Amaro deixou de ser apenas um ponto de tratamento de saúde para se tornar um município com dinâmica própria. Com pouco mais de 20 mil habitantes, a cidade mantém características de interior, mesmo estando próxima da capital. A economia se apoia principalmente no setor de serviços, no comércio local, no turismo e na agricultura familiar, que ainda tem peso importante nas comunidades rurais. O cultivo de hortaliças, frutas e produtos coloniais abastece feiras, mercados e restaurantes da região, mantendo vivo o vínculo com a terra.
O tecido social de Santo Amaro é marcado por forte senso comunitário e pela convivência entre áreas urbanas e rurais. Bairros mais novos crescem ao longo dos eixos viários, enquanto comunidades tradicionais preservam hábitos ligados ao campo, à religiosidade e às festas locais. Essa mistura cria uma cidade com ritmo próprio, menos acelerado que o da capital, mas integrada à dinâmica metropolitana.

O grande diferencial do município segue sendo a natureza. Santo Amaro abriga parte significativa do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior unidade de conservação de Santa Catarina. Cachoeiras, trilhas, rios de águas claras, morros e áreas de Mata Atlântica fazem parte do cotidiano e transformam a cidade em destino frequente para quem busca ecoturismo, aventura ou simplesmente silêncio e paisagem. A Cachoeira do Salto, com mais de 40 metros de queda, é um dos pontos mais conhecidos e resume bem essa relação direta entre cidade e ambiente natural.
As águas termais continuam sendo símbolo e motor econômico. As Caldas da Imperatriz recebem visitantes o ano inteiro, atraídos pelas piscinas naturais aquecidas, pela tranquilidade do vale e pela tradição do turismo de saúde. Hotéis, pousadas e restaurantes se desenvolveram ao redor dessa vocação, criando uma cadeia econômica ligada ao bem-estar e ao contato com a natureza, sem descaracterizar o ambiente serrano.
Na cultura e no calendário de eventos, Santo Amaro preserva festas religiosas e comunitárias que ajudam a fortalecer os laços locais. Celebrações ligadas ao padroeiro, festas de igreja, encontros culturais e eventos gastronômicos movimentam a cidade ao longo do ano, sempre com forte participação da comunidade. São ocasiões em que comida, música e convivência ocupam as ruas e salões, reforçando o espírito de cidade pequena.
A culinária acompanha esse perfil: simples, farta e ligada à produção local. Pratos com ingredientes coloniais, carnes, massas, pães caseiros e doces artesanais aparecem tanto na mesa do dia a dia quanto nos eventos tradicionais. Nos restaurantes voltados ao turismo, a comida regional ganha apresentação mais elaborada, mas mantém a essência do sabor do interior.

Santo Amaro da Imperatriz é, no fim das contas, uma cidade que cresceu respeitando o que a tornou especial. Entre águas que brotam quentes da terra, montanhas cobertas de Mata Atlântica e uma população que preserva vínculos comunitários, o município construiu uma identidade própria dentro da Grande Florianópolis. Não é apenas um destino turístico ou uma cidade-dormitório da capital, mas um lugar onde história, natureza e qualidade de vida se encontram — e seguem fluindo, assim como as águas que deram origem à sua história.
