VAR fora do ar: a rodada do Catarinense que expôs a fragilidade da “modernidade”
E a tecnologia?

Apontado como o mais expressivo avanço para a humanidade, a tecnologia ainda coloca em risco suas ações. Outro dia, o foguete (sul-coreano Hanbit-Nano) disparado do Centro de Lançamento de Alcântara (Maranhão), sofreu uma falha 30 segundos após a decolagem e se fragmentou, caindo numa área de segurança, felizmente sem feridos. Outros incidentes, bem mais graves já ocorreram em várias partes do mundo, deixando um rastro de vítimas.
Cito o exemplo não para justificar, mas para explicar que a tecnologia, por mais avançada que seja, também falha. E se falhou no espaço, também falhou na terra, quando um equipamento de transmissão do VAR da Federação Catarinense de Futebol, pifou no jogo Santa Catarina x Camboriú, no estádio Alfredo João Krieck, em Rio do Sul. Talvez tenha sido o ponto negativo da primeira rodada do Campeonato Catarinense de Futebol. A falha do VAR impediu uma análise mais apurada do lance que originou o primeiro gol do Camboriú, numa penalidade máxima onde mais se discutiu se houve ou não o toque entre zagueiro e atacante, ou se o toque, se existiu, foi ou não suficiente para promover a queda do jogador do Camboriú.
Não sou adepto deste tipo de discussão, que sai do campo técnico para assumir proporções fanáticas nos torcedores e meramente especulativas de avaliadores, muitos sem um simples conhecimento das regras.
Quando o lance gera interpretações dúbias, oferece o conceito da aceitação da interpretação técnica, como a do árbitro. Como ocorreu no lance.
Logo, longe de merecer precipitadas e maldosas insinuações de que os lances foram propositais em favor dos clubes beneficiados.
Decisão humana
Também onde a tecnologia funcionou, houve discussões, num lance em que um jogador do Avaí poderia ter sido expulso (recebendo o segundo cartão amarelo) na partida em que o Leão venceu o Barra, na Ressacada. Outra interpretação de absoluta responsabilidade do árbitro, sem a necessidade de consultar a tecnologia.
Aliás…
Já que o assunto é a tecnologia na arbitragem, a prometida aplicação do VAR semiautomático nos estádios da Série A do Campeonato Brasileiro, está encontrando problemas para começar junto com o campeonato e estuda-se a sua implantação no decorrer da competição. É que alguns clubes indicaram diferentes estádios para seus mandos de campo, o que está retardando as avaliações técnicas.
Que nos salve o rádio
A desvinculação das transmissões do futebol das grandes e experientes redes de televisão, tem proporcionado trabalhos de nível abaixo do desejado. As dificuldades na comunicação, num país onde a internet ainda engatinha e não oferece segurança para seus usuários, a grande maioria das transmissões tem sido de qualidade de baixo nível. Gente que não conhece a história do nosso Estado muito menos do nosso futebol, deixa de lado o que mais importa – a narração do evento – para exagerar em recadinhos, abraços e intragáveis manifestações. Quando o possível “delay” (atraso no processamento do sinal) permite, fico com a imagem – muitas vezes travando – e vou para a indispensável transmissão pelo rádio, onde o nível é (quase sempre) melhor.
Prêmio pra ele

O gol do nigeriano Clinton, para o Brusque, no empate em um 1 a 1 com a Chapecoense, não só foi o primeiro do campeonato de 2026, como o primeiro do ano no futebol nacional. Clinton, deverá ser agraciado com a medalha Jaime de Arruda Ramos, autor do primeiro gol em estaduais, em 29 de junho de 1924, na vitória (3×1) do Internato sobre o Florianópolis, no campo do Gymnasio Catharinense (Florianópolis).
A premiação foi um pedido da ACESC ao presidente Rubens Angelotti (FCF), no campeonato de 2024, por sugestão do historiador Adalberto Kluser.
