O dia que mudou o Brasil
Artigo de Adriano Zanotto, advogado

08 de Janeiro: O Novo Dia da Mentira no Brasil?
O dia 1º de abril é mundialmente conhecido como o Dia da Mentira. Existem várias versões sobre sua origem, sendo a mais aceita a transição do calendário Juliano para o Gregoriano no século XVI. Aqueles que resistiram à mudança e continuaram celebrando o Ano Novo em abril passaram a ser chamados de “tolos de abril”. No Brasil, a tradição teria ganhado força em 1828, quando o periódico mineiro A Mentira noticiou falsamente a morte de Dom Pedro I.
Independentemente da origem, a essência da data é simples: pregar uma peça, contar uma inverdade e esperar que um “bobo” acredite nela.
A Nova Efeméride Brasileira
Contudo, os fatos recentes sugerem que o Brasil está pronto para atualizar seu calendário de farsas. O Dia da Mentira em solo nacional parece ter mudado para o 08 de janeiro.
Anualmente, altas autoridades da República se reúnem para celebrar o dia em que, supostamente, foi evitado um “golpe de Estado”. A narrativa oficial sustenta que o regime foi ameaçado por idosos portando bíblias e arruaceiros munidos de pedras, batons e guarda-chuvas.
Com base nessa construção narrativa, testemunhamos o que o autor descreve como uma “infinidade de justiça”: milhares de pessoas sendo condenadas a penas mais severas do que as aplicadas a traficantes e homicidas perigosos. Sob o manto dessa celebração, opera-se também uma engrenagem para reabilitar figuras históricas da corrupção no país.
O Triunfo das Nulidades
A situação é de “fazer corar um frade de pedra”. Diante dessa encenação, é impossível não recordar as palavras proféticas de Rui Barbosa:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Portanto, o brasileiro agora tem duas datas para “comemorar”: o tradicional 1º de abril e o moderno 08 de janeiro. Resta saber até quando os criadores da própria mentira continuarão colhendo seus frutos e até quando haverá “bobos” para acreditar nela.
Como bem alertou Abraham Lincoln: “Você pode enganar muitos por pouco tempo, ou poucos por muito tempo. O que você nunca vai conseguir é enganar a todos o tempo todo”.
